A Amnistia Internacional e a Human Rights Watch criticaram nesta terça-feira o julgamento na Líbia que condenou à morte nove pessoas próximas do regime de Muamar Kadhafi, entre os quais o filho do antigo ditador, Seif al-Islam.

Seif al-Islam Kadhafi e outras oito pessoas foram condenadas à morte hoje em Trípoli, após um julgamento de 16 meses e 37 réus, pelo papel que desempenharam na repressão da revolta antes do fim do regime de Kadhafi, em 2011. Segundo as organizações defensoras dos direitos humanos, durante o julgamento foram registados “graves violações” contra a justiça internacional.

“Houve denúncias credíveis de violações durante o julgamento que merecem uma revisão judicial independente e imparcial”, afirmou Joe Stork, subdiretor para o Médio Oriente e África da Human Rights Watch. “As vítimas dos graves crimes cometidos durante a revolta de 2011 merecem que se faça justiça, mas só se conseguirá através de um processo justo e transparente”, salientou.

Para a organização, a atual crise política na Líbia e a degradação das condições de segurança criam dúvidas sobre a independência dos juízes e procuradores para julgar o caso de forma independente e imparcial. “Este julgamento decorreu durante um conflito armado e num país dividido pela guerra, onde a impunidade se converteu em norma”, acrescentou.

A Amnistia Internacional também salientou a incapacidade da Líbia para administrar a justiça com base nos critérios internacionais.

As duas organizações denunciam também que o filho de Kadhafdi foi julgado à revelia, porque se encontra detido pelas milícias da cidade de Zintan, a 159 quilómetros de Tripoli, que se recusaram a entrega-lo às autoridades desde a sua captura em novembro de 2011.

As autoridades líbias, por seu lado, também recusaram entregar o filho mais velho do antigo ditador ao Tribunal Penal Internacional, que o acusa de crimes contra a Humanidade.