Apesar de não querer revelar totalmente “a surpresa” com que o público se irá deparar na performance diária das 23h30, Paulo Sérgio Pais assegurou que “as pessoas vão estar a ver um cenário e depois, de repente, ele transforma-se noutro”.

Para esse responsável, a mudança que se irá operar nas margens do rio Cáster perante milhares de espectadores é “uma inovação significativa”, sobretudo porque em causa não está um palco tradicional “com recursos técnicos ilimitados” e sim um espaço natural, que, entre o rio e as árvores, “tem que voltar ao seu estado original” depois de utilizado.

Essa versatilidade cénica de “O último reduto” foi assegurada pelo carpinteiro Arnaldo Pinho, que concebeu o mecanismo hidráulico responsável pela transfiguração do cenário e, embora colaborando com a Viagem Medieval há mais de 10 anos, reconhece: “Nunca tinha feito nada assim”.

Habituado a trabalhar com Filipe La Féria e já premiado em feiras de exposições internacionais pelo design dos seus stands, o técnico admite que esta não foi a obra mais complicada que executou até hoje, mas considera-a um marco na sua carreira. “É que o difícil não é criar isto a partir do nada. O desafio é criar isto com o orçamento minúsculo que temos e a tentar cumprir os desejos e fantasias todos que nos pedem”, explicou.

Depois de testados os mesmos procedimentos “vezes e vezes” para garantia de execução “bem oleada e em segurança”, coube à cenógrafa Cristina Henriques conferir ao cenário os acabamentos estéticos correspondentes à paisagem e época recriadas: o território algarvio sob domínio mourisco que as tropas de D. Afonso III acabariam por conquistar para completar o reino de Portugal.

“Fizemos uma investigação para cumprir com o rigor histórico, mas depois tivemos que adequar os padrões e motivos desse visual islâmico e muçulmano ao cenário real do rio, para que a decoração possa provocar o efeito pretendido nas pessoas que irão ver o espetáculo”, realçou, em referência à plateia que, na melhor das hipóteses, se encontrará a uns 50 metros de distância da ação.

Adereços que chegam a atingir 11 metros de altura, catapultas e trabucos, flechas e projéteis em chamas, cavalos de guerra e cães de caça combinar-se-ão com cerca de 120 atores e figurantes, num espetáculo de 30 minutos que Cristina Henriques e Arnaldo Pinho acreditam que “vai, de certeza, deslumbrar as pessoas”.

“Deslumbra sempre porque é como um filme medieval”, disse a cenógrafa. “Isto está tudo tão perto e é tão em bruto que as pessoas sentem-se dentro do enredo”, acrescentou.

A Viagem Medieval da Feira decorre até 9 de agosto.