Esta quinta-feira poderá terminar, em Atenas, com a marcação de eleições antecipadas na Grécia. Esse pode ser o resultado de uma reunião de emergência convocada no início da semana por Alexis Tsipras que reunirá os 200 membros do Comité Central do partido Syriza.

O primeiro-ministro vai discursar esta manhã perante os outros membros do Comité Central e, consoante o número de participantes que retire a confiança a Tsipras, será tomada uma decisão entre fazer uma votação interna limitada ao Comité Central ou marcar um congresso extraordinário. A reunião deverá ser de alta tensão.

No Parlamento, cerca de um quarto dos deputados do Syriza votou contra o terceiro resgate e contra as “medidas prévias” exigidas pelos credores. Alexis Tsipras, que teve de contar com os votos do parceiro de coligação e da oposição para passar as medidas, reconheceu na quarta-feira que o Syriza “não é, neste momento, um partido unido” mas notando que não pode “forçar” essa união.

O próprio Alexis Tsipras reconheceu que se o apoio do Syriza lhe for retirado terão de ser convocadas novas eleições.

O jornal grego Kathimerini escreveu que a Plataforma de Esquerda, liderada pelo ex-ministro da Energia Panayiotis Lafazanis, quer que Alexis Tsipras roa a corda nas negociações que estão a decorrer com a troika em Atenas e que siga um caminho “alternativo”. Mas Alexis Tsipras garantiu, contudo, que Atenas não tem alternativa à assinatura de um acordo.

“Tsipras não tem muitas opções”, disse ao Kathimerini um professor da Universidade de Atenas, Dimitri Sotiropoulos. “Uma opção é tentar fortalecer a sua posição dentro do partido, mas ele não é adepto do confronto”, diz o académico, acrescentando que “a alternativa a isso é convocar eleições antecipadas, o que teria de acontecer depois das negociações para o terceiro resgate mas antes que os partidos da oposição tenham tempo para se restabelecerem”.