1. Os responsáveis não aterraram em Lisboa de paraquedas

O sotaque não engana, Stefania Raiola é mesmo italiana. Mas quem a ouvir expressar-se em português percebe que é impossível que tenha chegado a Lisboa há meia dúzia de meses. A fluência tem explicação: Stefania trabalhou em Portugal durante quatro anos, entre 2005 e 2009. Era responsável de marketing dos veículos comerciais da Fiat. Quando voltou para Turim, a cidade-sede da marca automóvel, não demorou a sentir saudades de Portugal e da respetiva capital, que sempre lhe fez lembrar o sul de Itália, de onde é natural (nasceu em Nápoles).

Já Giuseppe Godono, o seu companheiro de vida e de viagem, só tinha vindo a Lisboa em lazer — a primeira vez foi na passagem de ano de 2009 para 2010. Mas a ideia de se mudarem ambos em definitivo já andava a maturar há algum tempo…

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Giuseppe é quem põe, literalmente, as mãos na massa. (foto: © Tiago Pais / Observador)

2. …mais precisamente há dois anos.

Não se pense que Stefania e Giuseppe fizeram as malas e abriram este negócio de forma extemporânea. Muito pelo contrário. “A ideia surgiu há dois anos, mas até chegar aqui fizemos muita pesquisa e análise de mercado”, explica a responsável. A primeira zona pensada para acolher o negócio foi o eixo Baixa-Chiado. “Depois pensámos melhor e percebemos que não queríamos trabalhar só para turistas, por isso decidimos vir para uma zona onde se pudesse sentir a realidade de Lisboa”.

Alugaram uma casa na Avenida 5 de Outubro por uma semana, analisaram o respetivo bairro com ajuda dos dados do Instituto Nacional de Estatística, perceberam a dinâmica local e voilà, ficaram logo ali, mesmo em frente à antiga sede da RTP. A juntar a todo esse planeamento estão as muitas horas de formação que tiveram para aprender a dominar a maquinaria da cozinha e a própria organização do restaurante. É que por muita experiência que Giuseppe tivesse a cozinhar em casa — e Stefania não se cansa de lhe gabar os dotes — gerir um restaurante é outra conversa.

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Da sala consegue ver-se a cozinha onde tudo acontece. (foto: © Tiago Pais / Observador)

3. O nome tem apenas uma função: explicar o que ali se faz

Porquê La Pasta Fresca? Simplicidade ou falta de criatividade? Nem uma coisa nem outra, responde Stefania. “Quero que se saiba o que fazemos aqui. Ainda pensámos em chamar-lhe Il Posto della Pasta mas ficou La Pasta Fresca porque é disso que se trata”. Ou seja, eficácia acima de tudo.

4. Aqui come-se ou compra-se para comer

A montra logo à entrada, cheia de pasta fresca denuncia a dupla função deste pastificio: tanto se pode comprar a massa a peso para levar, como aproveitar uma das mesas para comer no local. “A intenção é mesmo essa, que seja um restaurante/loja”, diz Stefania. A ementa ainda está em fase de afinações, o que é natural se se pensar que o La Pasta Fresca abriu apenas a 10 de julho.

Para já, pode encontrar-se uma gama variada de entradas — arancini, frittatine ou beringela frita com parmesão –, massas, muitas massas — tagliatelle, maccheroni, ravioli ou casarecce — e um misto de sobremesas caseiras com outras que são importadas de Itália.

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Isto é cesarecce (a massa) com pesto cetarese (o molho). Não rima, mas quase.
(foto: © Tiago Pais / Observador)

Sendo Giuseppe e Stefania ambos napolitanos, não é de estranhar que a maioria das receitas seja original dessa região do país. “É onde se come melhor em Itália”, justificam. Apesar disso, a ideia é que haja pratos de todo o país. E com elementos pouco vistos (ou comidos) nestas paragens, como a salsa genovese, obtida através de uma lenta cozedura da carne, ou o pesto cetarese, que leva óleo de anchovas e não tem a cor verde que habitualmente se associa a esse molho.

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Um spritz para começar a refeição. (foto: © Tiago Pais / Observador)

5. As bebidas não servem só para encher o menu

Apesar de ser a sua primeira experiência em restauração, Stefania já tinha alguma experiência na área. Ou em parte dela. Tem um curso de sommelier, tirado em Itália e talvez por isso tenha sorrido perante a pergunta da praxe: “E lambrusco, não têm?”. “O lambrusco está para os italianos como o Mateus Rosé para os portugueses. É uma bebida que os estrangeiros procuram mas que os locais não bebem assim tanto”, explica. Não há lambrusco mas há vinhos italianos de Salento e Abruzzo, comprados diretamente aos produtores. E, claro, também há aperitivos típicos como o famoso Spritz. Para brindar à massa.

Nome: La Pasta Fresca
Morada: Avenida 5 de Outubro, 186A (Avenidas Novas), Lisboa
Telefone:  21 796 0997
Horário: De segunda a sábado, das 10h às 23h30
Preço Médio: 15€
Reservas: Aceitam