É uma velha máxima que cai por terra: afinal, e ao contrário do que muitos poderiam pensar, o sexo não vende. Nem tão pouco a violência. As conclusões correspondem a um novo estudo publicado no Psychological Bulletin e podem vir a ter um forte impacto no muito rentável mundo da publicidade.

Não é que cenas escaldantes e/ou com perseguições de carros (e tiros à mistura) não captem a nossa atenção — caso contrário, seria difícil de justificar sucessos do pequeno e grande ecrã, como a série A Guerra dos Tronos ou os filmes Die Hard.

Apesar de serem cativantes para quem os vê, as cenas de sexo e violência nos filmes, tal como nos anúncios, não contribuem necessariamente para o aumento das vendas das respetivas marcas, escreve a Time, e até podem ter o efeito oposto.

Prestar atenção a sexo e a atos violentos é, de facto, uma resposta evolutiva, necessária à sobrevivência da espécie — é frequente estarmos atentos a ameaças, de modo a garantir a nossa segurança, ou estarmos atentos às oportunidades de reprodução. Quem o explica é Brad Bushman, professor de comunicação e de psicologia na Ohio State University e coautor do estudo em questão.

Os investigadores debruçaram-se, então, sobre 53 estudos realizados no ano passado, os quais envolveram um total de 8,489 participantes, e concluíram que os telespectadores têm menos tendência para se lembrarem dos anúncios quando estes surgem nos intervalos de filmes ou programas televisivos com conteúdos sexualmente explícitos ou até violentos — o cenário melhora quando estão em causa conteúdos de índole familiar. A mesma lógica aplica-se aos anúncios mais gráficos (sejam eles sexy ou agressivos).

Bushman justifica: “Não encontrámos quase nenhuma evidência de que os programas e os anúncios violentos e/ou sexuais aumentem a eficácia da publicidade”. Por esse motivo, os autores do estudo defendem que talvez seja melhor para os anunciantes se estes se socorrerem de anúncios apropriados a uma audiência mais generalista. É que, caso contrário, as pessoas prestam mais atenção aos cenários violentos e sexuais do que aos produtos em si. Será que está na altura de repensar o mundo da publicidade?

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