A Cidade do México inovou ao aprovar um conjunto de medidas que permitem regular os serviços de partilha de boleias, mas a medida não foi suficiente para evitar a fúria de outros condutores. Na quarta-feira, dezenas de protestantes atacaram vários motoristas da Uber e respetivos carros com pedras e ovos às portas do aeroporto da capital do México. Simultaneamente, os taxistas estão a exigir uma “suspensão total” destes serviços na cidade, conta a Associated Press.

“O que aconteceu é um ataque muito grave à liberdade que toda a gente tem de ganhar a sua vida de forma única. Incidentes como este são totalmente inaceitáveis e confiamos nas autoridades e se faça justiça”, disse fonte oficial da Uber em reação aos protestos.

O chefe do governo da Cidade do México, Miguel Ángel Mancera, tinha aprovado várias medidas que regulavam o setor, como a obrigatoriedade de empresas como a Uber ou a Cabify contribuírem com 1,5% da sua faturação para um fundo dedicado a financiar projetos de mobilidade sustentável e segurança rodoviária, entre outras. Na quarta-feira, um homem chegou a destruir o vidro traseiro de uma das viaturas com uma pedra.

Na terça-feira, os taxistas já tinham protestado à porta da Embaixada da Colômbia, para prestar solidariedade com os colegas de profissão daquele país e no mundo. A porta-voz da Uber, Rocio Paniagua, disse ao canal de televisão Televisa que nesse dia tinham sido danificados entre 10 a 12 carros e que vários motoristas tinham sido atacados.

O líder da associação que representa os taxistas na Cidade do México já veio negar que tenha estado envolvido nos protestos de quarta-feira e que prometia recorrer apenas a meios legais para mostrar o desagrado perante a regulação.

Esta quarta-feira, os protestantes afirmavam que os motoristas da Uber tinham infringido uma das regras, ao estacionarem nas proximidades do aeroporto.

A Uber é muito popular no México, com a classe alta a olhar cada vez mais para este tipo de transporte como uma escolha “mais segura, mais agradável, mais confiável, mais conveniente com um custo mais competitivo face aos táxis”, escreve a Associated Press.

Francisco Rodriguez Esquivel, um taxista de 61 anos, diz que os protestos desta semana foram “infelizes”, mas que são resultado da frustração em que vivem.

“Penso que é uma consequência lógica, que as pessoas comecem a ficar desesperadas porque as empresas continuam a operar e, provavelmente, ainda se riem de nós”, disse Francisco Rodriguez Esquivel, acrescentando que a luta vai continuar.

Em Portugal, a ANTRAL – Associação Nacional dos Transportes Rodoviários Ligeiros, interpôs uma providência cautelar para impedir a Uber de operar, que foi aceite pelo Tribunal da Comarca de Lisboa em abril. A empresa já apresentou recurso e continua com os serviços UberX e UberBlack (que não pertencem à categoria de partilha de bolheias – esse é o serviço UberPop) ativos.