As escolas primárias de Ranholas e de Galamares (Sintra) estão ameaçadas de encerrar, depois de o Agrupamento de Escolas Monte da Lua ter lançado uma lista onde não constam novas inscrições nestes estabelecimentos de ensino, o que coloca em causa o seu funcionamento.

De acordo com a carta enviada por Artur Gaspar – presidente da Associação de Pais, pai de uma criança que passou para o terceiro ano em Ranholas e de outro que vai entrar no primeiro -, “não há ainda falta de alunos que justifique o encerramento das inscrições”. A escola teve 60 alunos no ano letivo passado.

Durante o ano letivo passado, as associações de pais de Ranholas e Galamares organizaram uma lista de alunos que pretendiam inscrever-se nestas escolas como primeira opção para garantir o funcionamento das mesmas. Porque, “pela sua dimensão reduzida, estas escolas não têm condições para funcionar sem que haja inscrição de novos alunos”, explica Artur Gaspar.

Há relatos de que a secretaria da escola está a chamar pais cujos filhos não foram colocados para se inscreverem em Ranholas e Galamares, avança Artur Gaspar ao Observador. A direção do Agrupamento e o diretor do Departamento de Educação da Câmara Municipal de Sintra também já garantiram que até terça-feira estará disponível uma nova lista com os nomes de novos alunos para Ranholas e Galamares.

Mas caso não haja resposta positiva da Secretaria de Estado ao pedido para funcionamento no próximo ano letivo enviado pela Câmara Municipal de Sintra, o funcionamento das Atividades de Tempos Livres (ATL) – onde os alunos ficam enquanto os pais estão a trabalhar – ficará comprometido, causando o despedimento de três funcionárias em cada escola. Entretanto, os Pais estão a organizar manifestações pela defesa desta causa.

Por enquanto, está ativa uma página no Facebook chamada “Pais pela Escola de Ranholas”, onde são publicadas fotografias do estabelecimento e dos pais. Há três anos, a Escola de Ranholas esteve ameaçada de fechar por falta de condições. Foram os próprios pais que investiram na reabilitação da escola, com a realização de obras nos edifícios, pinturas requalificação do jardim, entre outras tarefas, todas financiadas pelos próprios.

Em 2012 foi também lançada uma petição pública que evitasse a extinção do jardim de infância e escola primária de Ranholas. Embora apenas 165 pessoas tivessem aderido à causa, os pais conseguiram evitar que os filhos fossem transferidos para as novas salas de aula construídas na altura no Linhó. E os motivos de então são os mesmos que movem os pais no sentido de manter a escola aberta: “Ninguém diz que neste nosso cantinho está uma escola, escondida do burburinho e da confusão dos centros urbanos, abraçada por uma floresta”, descrevem os pais.