Dívidas de 2614 milhões de euros e ativos de apenas 193 milhões de euros. Estas serão as contas ao passivo e ao ativo que ficaram no Banco Espírito Santo depois da resolução, segundo avança a TVI que aponta para uma insuficiência, um “buraco”, de cerca de 2400 milhões de euros no BES.

Do lado do passivo ficaram mil milhões de euros de provisões, que incluem o montante de 667 milhões de euros constituído para fazer face ao reembolso do papel comercial vendido aos clientes do banco. Do lado das dívidas, estão também o empréstimo de 835 milhões de dólares à Oak Finance, veículo montado pela Goldman Sachs vendido a investidores internacionais, que o Banco de Portugal passou para o BES, e as cartas de conforto passadas a entidades públicas da Venezuela.

Os ativos do BES são, no essencial, o crédito concedido pelo banco e filiais a empresas do Grupo Espírito Santo cujo valor bruto é da ordem dos mil milhões de euros. No entanto, tendo em conta a baixa margem de recuperação destes créditos, estes foram valorizados em apenas 193 milhões de euros, adianta ainda a TVI. Segundo a estação, a gestão liderada por Luís Máximo dos Santos que está a gerir o “banco mau”, conseguiu recuperar 85 milhões de euros destes créditos.

Por estes números, confirma-se que o BES não terá recursos suficientes para reembolsar os seus credores e indemnizar acionistas, conforme aliás já tinha admitido publicamente Luís Máximo dos Santos.

Os valores avançados pela TVI não são ainda os oficiais, e não há indicação se estas contas estão já auditadas. O Observador sabe que uma das questões que tem atrasado o fecho das contas do BES são as opiniões divergentes defendidas pelos dois auditores que estão a trabalhar no processo. A KPMG ficou a auditora do Banco Espírito Santo. A PricewaterhouseCoopers (PwC) trabalhou para o Banco de Portugal na avaliação preliminar de ativos e passivos que levou à separação do BES e do Novo Banco, há precisamente um ano.

De acordo com as regras da resolução, este cenário terá de ser mais favorável aos acionistas e credores do que a alternativa da insolvência do BES, que neste caso incluiria também ativos que passaram para o lado do Novo Banco. Mas estas contas ainda não terão começado a ser feitas.

O BES ainda não anunciou as contas de 2014 ao mercado, apesar de ser uma entidade cotada (embora com a negociação suspensa).

Os valores sobre a situação financeira do “banco mau” foram conhecidos no mesmo dia em que o Banco de Portugal anunciou a recondução de Luís Máximo dos Santos por mais um ano na presidência do BES.