Passou um ano e o caso do Banco Espírito Santo (BES) continua sem solução à vista. O governo diz que os contribuintes não serão afetados com a intervenção no BES, mas há quem não acredite. José Miguel Júdice diz ao Diário de Notícias que “um dia que um tribunal venha a condenar o Novo Banco a pagar dezenas ou centenas de milhões de euros para indemnizar os investidores e os clientes, vai ser o Estado a pagar”.

Ainda que defenda que “é difícil saber tudo o que realmente aconteceu”, o advogado acredita que a atuação de Carlos Costa e do Banco de Portugal (BdP), em agosto do ano passado, foi causada pelo “pânico”. Mas antevê que a solução poderá custar milhões aos contribuintes: “Não estou a referir-me a eventuais ilícitos criminais ou atos eticamente reprováveis, que serão avaliados e julgados pelas entidades competentes. Refiro-me só à atuação do regulador que tinha obrigação de ter percebido, muito mais cedo, o que se passava. E se não atuou antes porque entendeu que havia razões para não criar ruturas que poderiam acarretar sérios riscos, então, agosto, também não era o melhor momento”, diz Miguel Júdice.

Além de apontar o dedo ao “timing” do BdP na gestão do BES, já que surge “logo a seguir às autoridades de regulação terem autorizado um aumento de capital” no BES, o advogado e sócio da PMJL acredita não ser possível acreditar que o regulador não pudesse perceber o que se passava na instituição bancária: “Importantes acionistas do banco pediram, durante meses, que se atuasse. Se o Estado tivesse optado pela intervenção, teria nomeado um administrador, como fez ou podia fazer no BPI, no Banif e no Millenium, em vez de deixar os membros da família Espírito Santo, segundo parece, com corda larga para fazerem o que agora lhes censura”.

O que falta saber é “qual o preço a pagar pelos contribuintes”, remata.

Esta manhã, o jornal Público diz que as três propostas apresentadas para a compra do Novo Banco estão “bastante abaixo” dos 4.900 euros – mas sem concretizar números.

O Banco de Portugal espera por novas propostas até dia 7 de agosto, para tomar uma decisão até meio do mês.