A Rússia submeteu hoje oficialmente às Nações Unidas a reivindicação de 1,2 milhões de quilómetros quadrados do Oceano Ártico, centro de crescentes tensões entre os países costeiros.

No pedido, entregue na Comissão da ONU sobre os Limites da Plataforma Continental, a Rússia argumenta que, com base nos resultados da investigação científica, deve ter soberania sobre 1,2 milhões de metros quadrados do Ártico.

A área inclui o Pólo Norte e é rica em recursos naturais estimados em 4,9 mil milhões de toneladas de hidrocarbonetos.

A ONU pediu em 2001 à Rússia, na sequência de uma primeira reivindicação para aumentar a plataforma continental, que apresentasse provas científicas dos seus direitos.

O Ártico tem estado no centro de tensões entre os cinco países costeiros do Oceano – Rússia, Noruega, Dinamarca, Estados Unidos e Canadá — quanto à soberania sobre o fundo de um oceano rico em minerais, petróleo e gás.

Ao abrigo da lei internacional, um país tem direitos económicos exclusivos sobre a plataforma continental num raio de 200 milhas náuticas (370 quilómetros) da sua costa.

Os cinco países, no entanto, têm disputado áreas mais vastas em face do degelo do mar Ártico que desbloqueia o acesso a importantes recursos naturais e novas rotas marítimas.

A reivindicação russa inclui os maciços de Mendeleiev e de Lomonosov, igualmente reclamados pela Dinamarca e pelo Canadá. A Rússia argumenta que os dois maciços, como o Pólo Norte, são parte integrante do continente Eurásio.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo afirmou hoje que o pedido submetido tem um estatuto prioritário e que espera que ele seja analisado no outono.