Os bancos portugueses enfrentam riscos económicos maiores do que os outros bancos europeus, por força do endividamento do setor privado e do impacto negativo que teve nos balanços a recessão prolongada. A análise é da agência de rating S&P, que assinala que desde agosto de 2014 – o mês do colapso do BES – que nenhum banco privado português fez qualquer emissão de dívida no mercado.

Apesar das condições benignas no mercado de dívida europeu, graças aos estímulos do BCE, a agência S&P salienta que nenhum banco português (privado) fez emissões de dívida no mercado, obtendo aí parte do financiamento necessário para a sua atividade. Esse financiamento está, portanto, a ser obtido através dos depósitos de clientes e do recurso às operações de financiamento do banco central, que cobra taxas de juro em mínimos históricos.

Mas esta situação, alerta a S&P em comunicado divulgado esta quarta-feira, faz com que “o sistema [bancário] continue a ter uma dependência significativa do financiamento externo, a maioria do qual continua a ser providenciado pelo BCE”. “Esta é uma situação que não deverá, esperamos, alterar-se de forma significativa no médio prazo já que o nível de acesso ao mercado dos bancos não regressou aos níveis antes da crise e a emissão de dívida continua a ser feita apenas de forma limitada e oportunística”, afirma a agência de rating, notando que há um ano não se veem emissões de dívida por bancos portugueses.

Esta falta de diversificação nas fontes de financiamento “é um obstáculo importante para a flexibilidade financeira dos bancos”, diz a S&P.

Banca portuguesa pode tomar riscos excessivos

O que preocupa, também, a agência de rating são as “baixas perspetivas de rendibilidade” para a banca nacional. “Acreditamos que a baixa geração de resultados poderá incentivar os bancos a se envolverem em operações com maior risco, para estimular as receitas”, receia a S&P.

Por outro lado, os níveis elevados de dívida pública “tornam o cenário ainda mais desafiante para os bancos portugueses, porque, na nossa opinião, limitam a capacidade do governo de estimular a economia”.