7500 participantes de 60 nacionalidades, 260 jornalistas, 35 mil pessoas assistiram online às conferências, que totalizaram 195 milhões de impressões nas redes sociais. A primeira cimeira mundial da Sage, que decorreu entre 27 e 30 de julho, foi feita de números grandes e também foi a maior já realizada pela empresa em 34 anos de existência. O centro de convenções Ernest N. Morial em Nova Orleães (EUA) foi o local escolhido para a Sage Summit 2015 e o palco para a apresentação de uma nova estratégia daquela que é uma das maiores empresas do mundo de software de gestão (e a líder no segmento das pequenas e médias empresas).

O que é a Sage

A Sage é uma empresa que produz e comercializa software de gestão para empresas, tem representações em todo o mundo (é um dos três gigantes, concorre com a Oracle e a SAP). Os principais mercados onde opera são os Estados Unidos da América e na Europa o Reino Unido, França e Espanha. Em Portugal, tem uma equipa de 170 colaboradores, 1500 parceiros e cerca de 100 mil clientes — é líder no setor do retalho.

Os parceiros são os agentes que fazem a ponte entre a Sage e o cliente final — empresários e empresas, como por exemplo um arquiteto ou um restaurante — e desempenham um papel fundamental na estratégia da companhia. Aliás, são o garante de um dos dogmas da Sage: “customers for life”, uma expressão que se traduz numa relação de proximidade e confiança com os parceiros de negócio.

A Sage Summit

A conferência anual da Sage é um encontro que se realiza anualmente em países ou regiões por todo o mundo. A dos Estados Unidos da América é a de maior dimensão e reuniu este ano, pela primeira vez, funcionários, parceiros e clientes dos cinco continentes. O motivo foi um passo tecnológico importante: a transição dos sistemas de software de gestão tradicionais (instalados individualmente em máquinas próprias) para o modelo “cloud” e uma forte aposta na mobilidade.

Para dar este passo a Sage apostou num evento que foi muito mais que um expositor de novos produtos, escolheu o caminho da transição informada, em múltiplas vertentes relacionadas com a gestão de empresas. Ali assistiu-se a grandes conferências (as famosas e impressionantes “keynotes”) com personalidades de renome internacional (Collin Powell, Deepak Chopra, Tony Hawk, Jane Seymour e Chad Hurley, entre outros), a demonstrações técnicas e debates sobre produtos mas também sobre tecnologia. Por exemplo, sessões de esclarecimento acerca da “cloud” (armazenamento remoto), segurança informática, expansão e gestão de negócios online ou, simplesmente, como construir uma página web.

O papel da mulher nas tecnologias de informação (TI) também foi um assunto muito debatido, pudemos constatar que a realidade norte-americana é bastante diferente da europeia, para pior. Por várias vezes ouvimos que, ao nível das pequenas e médias empresas, a cultura norte-americana afasta as mulheres das competências tecnológicas, um fator que a Sage pretende contrariar. Defendem que o mundo dos negócios tem tudo a ganhar em ter mais mulheres nas TI, por isso organizaram vários debates sobre o tema.

Foram dezenas de sessões com interesse para os funcionários e parceiros da Sage mas também para os muitos clientes e potenciais clientes, que foram ali para conhecer os novos serviços e inteirar-se das novas tecnologias. A Sage Summit é um terreno privilegiado para estabelecer contactos e fazer negócios — assistimos a um, literalmente, durante um pequeno-almoço.

Houve uma figura central nesta conferência: Stephen Kelly, o novo administrador executivo da Sage. Descontraído e informal, caíram sobre ele todas as atenções na conferência de abertura e ao longo de todo o evento. Maria Antónia Costa, a Country Manager da Sage Portugal, sublinhou desta forma o papel do novo CEO: “Ele quer virar a empresa para o futuro”. E deu-nos um exemplo simples mas ilustrativo: “Antes, os nossos colaboradores tinham acesso restrito às redes sociais durante o horário de expediente. Hoje, todos têm conta no Twitter e utilizam-na frequentemente para promover o sítio onde trabalham”. Maria Antónia Costa afirma que Stephen Kelly trouxe “uma mudança radical na nossa forma de estar”, mais abertura e velocidade para estar mais próximo dos clientes.

Hoje parece um passo óbvio, a barreira entre “pessoal” e “profissional” está cada vez mais esbatida, mas para as empresas de grande dimensão estas mudanças tendem a ser muito lentas. Na Sage, este processo correu a um passo muito acelerado, demorou apenas meia dúzia de meses. Stephen Kelly é o grande impulsionador desta transformação, que ocorre em simultâneo no mundo inteiro, apesar das muitas diferenças que existem entre países e continentes, tecnológicas e culturais. A Sage quer ser “One Sage” (uma só) e por isso defende que a mudança deve ser global. Uma mudança com implicações que vão para além das empresas, um salto qualitativo que atinge milhões de clientes por todo o mundo e por isso, tem impacto direto na forma como as pessoas lidam com a tecnologia. Ou seja, as novas experiências adquiridas no setor empresarial acabam por ter reflexo na utilização quotidiana da tecnologia.

A Sage Portugal diz-se preparada para a transição tecnológica anunciada no evento, que passa pela crescente adoção dos serviços baseados no alojamento e processamento remoto (a “cloud”). Ana Teresa Ribeiro, Small & Businesses Director da Sage Portugal considera que o nosso país está muito avançado em termos tecnológicos, não só nas infraestruturas mas também porque “nós somos naturalmente ‘early adopters’, gostamos muito de seguir as novidades”, por isso acredita que a passagem do modelo tradicional (software alojado nos computadores das empresas) para a “nuvem” acontecerá naturalmente e que a rapidez dessa transição dependerá apenas e só, do ritmo de cada cliente.

Mas porquê esta aposta na “cloud”? Ana Teresa Ribeiro explicou-nos que “a grande vantagem da ‘cloud’ é a mobilidade e a simplicidade, funcional e gráfica. Além disso, potencia a economia digital, na medida em que agiliza a transição do ambiente físico para o digital — na implementação, por exemplo, de uma loja online”.

A Sage Summit de Nova Orleães teve uma importância global, porque projetou para cada mercado as novas tendências. Os conhecimentos ali adquiridos serão transmitidos para os parceiros portugueses no outono deste ano. “Vai ser memorável”, disse-nos Ana Teresa Ribeiro, entusiasmada com a possibilidade de partilhar as novas diretrizes da empresa e desse modo, marcar a posição de liderança no mercado português.

Maria Antónia Costa (Country Manager) e Ana Teresa Ribeiro (Small & Medium Businesses Director) da Sage Portugal; e os parceiros José Serôdio (Sistemas Ideais) e Gil Sousa (Megavale Informática) sintetizam desta forma a importância da Sage Summit 2015:

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Porquê em Nova Orleães?

A conferência anual nos Estados Unidos da América é, por si só, um evento de grande dimensão. É a Sage North America a mais bem preparada para organizar uma reunião mundial, com a espetacularidade e profissionalismo conhecida dos grandes eventos made in America.

Mas mais do que isso, a aposta da empresa no novo continente é assumida e o administrador executivo, Stephen Kelly, demonstrou-o com números fáceis de convencer: os EUA têm a economia em crescimento e só no ano passado foram criadas 500 mil novas empresas, a esmagadora maioria por uma geração que vive com o smartphone na mão, que mantém a vida profissional e pessoal na mesma “rede” (social), sempre disponível para resolver um problema ou fechar um negócio. Muito longe, portanto, do velho modelo de “gestão de mercearia”.

Este número torna os EUA não só um mercado apetecível, mas também a montra tecnológica para os novos produtos, virados para a “cloud” e para mobilidade. Por isso foi ali que Stephen Kelly apresentou a nova coqueluche da Sage: chama-se Sage Live e vai estar, para já, disponível no mercado da América do Norte (EUA e Canadá) e no Reino Unido — durante 2016 no resto do mundo.

Além disso, Nova Orleães é uma cidade renovada, depois da passagem trágica do furacão Katrina, há precisamente 10 anos. A cidade respira não só o Jazz mas também multiculturalidade e história, com uma forte influência francesa e espanhola, impregnada na arquitetura, na culinária e também na música (Cajun e Zydeco). A Canal St. separa o pitoresco French Quarter do Central Business District, símbolo da modernidade e do crescimento económico. É uma sopa de culturas, temperada pelo clima tropical, tudo sinónimos que se enquadram bem no caminho que a Sage quer seguir. Uma transição tecnológica inevitável mas que acontecerá ao ritmo que o cliente quiser. O lema vai continuar a ser “Customer for Life”.

O Observador esteve presente na Sage Summit 2015 a convite da Sage Portugal.