Desde de 1980 que os estudantes chineses do ensino secundário ganham a Olimpíada Internacional de Matemática. Contam-se 18 vitórias. Até este ano. Houve derrota. E para os EUA. Mas os chineses não estão tristes, muito pelo contrário, com o facto de terem perdido para os Estados Unidos. Foi até um alívio para muitos pais e educadores.

Os testemunhos encontrados na rede social Weibo retratam essa mesma felicidade. Abaixo encontra alguns exemplos:

“É simplesmente maravilhoso que a China tenha finalmente perdido o concurso”, escreveu um utilizador da rede social Weibo. “Felizmente, a Olimpíada de Matemática não vai assombrar mais os nossos filhos. Este concurso destruiu muitos sonhos de crianças”. 

O ensino da matemática na China é levado muito a sério. A maioria das crianças chinesas começa a treinar para este tipo de concursos ainda na escola primária. Para incentivarem os alunos a participar neste tipo de competições, algumas escolas oferecem pontos extras nos exames finais. Isto torna a participação nas olimpíadas quase obrigatória, uma vez que um ponto na nota final de um exame pode fazer toda a diferença na vida de um estudante. Algumas províncias estão contra este ponto extra dado aos alunos que vençam as olimpíadas. Contra estão também alguns educadores, que se questionam sobre o verdadeiro propósito destes concursos.

Um comentador chinês, Wei Wei, chegou mesmo a comparar as olimpíadas de matemática a “óleo de sarjeta”, fazendo referência a um tipo de óleo de baixa qualidade utilizado pelos restaurantes para poupar, pelo facto de os estudantes participarem nas olimpíadas só por terem a possibilidade de ter alguns pontos nos exames.

As pessoas estão desconfortáveis ao comer alimentos confecionados com esse óleo, mas fazem-no porque é mais barato”, escreveu Wei Wei no site de notícias ifeng.com”.

Já Yang Dongping, um conhecido especialista em educação, escreveu no China Youth Daily, que estas competições são uma “perda” de talentos.

A questão que devemos colocar é porquê que não temos grandes matemáticos na China?”, diz Yang. Para o especialista a resposta é simples: Poucos dos nossos campeões de matemática continuam a estudar matemática – muitos deixaram a academia para Wall Street”.