Luís Marques Mendes não tem dúvidas: esta semana foi “horrível para o PS” e se os socialistas continuarem a dar “tiros nos pés” como estes arriscam-se mesmo a perder as eleições. O ex-líder social-democrata comentava assim as mais recentes polémicas a envolverem os cartazes eleitorais do PS.

No seu espaço de comentário habitual na SIC, Marques Mendes apontou aquilo que considera ser um verdadeiro estado de “desorientação” que reina no Largo do Rato, depois dos sucessivos erros nos cartazes e outdoors. “No início o PS tinha colocado uns cartazes para [logo depois] os ter de retirar” começou por dizer o comentador, referindo-se aos cartazes com um grafismo que, diziam os críticos, era muito New Age – cartazes, esses, que deram origem às mais variadas paródias na Internet.

“A seguir”, continuou Marques Mendes, o PS “resolve fazer uma campanha de cartazes a falar no desemprego” na semana em que foi revelado que “o desemprego está a baixar”. Ora, para o social-democrata, isto não “lembra nem ao careca“. Depois, chegou a vez do cartaz da senhora que dizia estar desempregada desde 2011. “Bastava alguém fazer as contas lá dentro do PS” para perceber que José Sócrates era primeiro-ministro nessa altura, sublinhou o comentador.

Mas, o “mais grave” e “o pior de tudo” foi o recurso a “falsos desempregados” e a “falsos emigrantes” para figurarem nos cartazes socialistas – notícia que o Observador contou em primeira mão. Para Marques Mendes, “isto não é um problema técnico nem político, é [um problema] de falta de caráter“.

Mais: passa a mensagem de “que a política é a arte do vale tudo”, inclusive “manipular pessoas”. Tendo em conta que a ideia chave de António Costa é a “confiança”, o antigo presidente do PSD não tem dúvidas: “Isto mina a consistência e credibilidade da mensagem de António Costa”.

A sucessão de polémicas a envolverem os socialistas surge numa altura em que as sondagens dão um empate técnico entre PS e coligação, com ligeira vantagem para o Largo do Rato. O comentador acredita que ainda está “tudo em aberto”, embora este resultado seja “mais perigoso para o PS”. “Há seis meses o que se discutia era se o PS conseguia ou não a maioria absoluta. Agora, o que se discute é se ganha ou não as eleições”, sublinhou.

Para Marques Mendes, a evolução positiva da situação económica, com a diminuição da taxa do desemprego à cabeça, contribuiu para a aproximação entre as duas principais alternativas nas próximas eleições. Além disso, o facto de o Governo ter deixado de dar “tiros nos pés”, como fez até “abril” – ao contrário do PS – pode, na opinião do social-democrata, ajudar a explicar a “perda de gás e de energia dos socialistas”.

Os dois frente-a-frente entre Passos e Costa podem, no entanto, ajudar a desfazer o empate. Marques Mendes acredita, por um lado, que o facto de haver poucos debates entre os dois pode “ser vantajoso para António Costa”. Por outro lado, o facto de o primeiro duelo (a 9 de setembro) ser na televisão e não na rádio como chegou a ser avançado, poderá dar uma “vantagem a Pedro Passos Coelho”, tendo em conta que o agora secretário-geral socialista teve algumas dificuldades no primeiro debate com António José Seguro, por altura das primárias do partido.

Sobre os números revelados recentemente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), um dos temas que acabou por marcar também a semana política, Marques Mendes está do lado do Executivo PSD/CDS: “Ainda que o desemprego continue muito alto, a trajetória de descida é muito positiva”. Além disso, indicia também que o investimento das empresas, nos últimos anos algo “paralisado”, está agora a arrancar.

A propósito deste último indicador, Marques Mendes revelou dados comparativos entre o volume de investimento das candidaturas das empresas aos fundos comunitários em 2008 (por altura do QREN) e em 2015 (programa Portugal 2020), chegando à conclusão de que esse aumento “é hoje mais de 750%”. Ou seja, o comentador acredita que este é um sinal de que “o dinamismo das empresas” está a aumentar e que esse tem sido o grande motor da economia portuguesa. Nesse linha, o comentador deixou ainda um alerta: “A luta política não deve ser feita com base no drama das pessoas” até porque “não são os governos nem os partidos que criam os empregos. São as empresas”.