O Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, não exclui a hipótese de se encontrar, “caso seja necessário”, com o líder das FARC, Timoleon Jimenez “Timochenko”, no âmbito das negociações de paz entre o Governo e a guerrilha.

O chefe da equipa de negociadores do Governo colombiano, Humberto de la Calle, reuniu-se com “Timochenko” por duas ocasiões, “com a minha autorização expressa”, afirmou o chefe de Estado colombiano numa entrevista publicada este sábado pelo jornal Semana.

O irmão do Presidente, Enrique Santos, antigo diretor do jornal colombiano El Tiempo e negociador na fase preparatória do diálogo de paz, também se encontrou “uma vez” com o líder das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), disse.

As negociações entre o Governo colombiano e os responsáveis das FARC iniciaram-se em novembro de 2012, em Havana, com o objetivo de colocar um ponto final com o mais longo conflito da América latina.

A perspetiva de um cessar-fogo bilateral começa a ganhar força com a trégua respeitada pela guerrilha desde 20 de julho.

A 12 de julho, o Governo e as FARC anunciaram um acordo para a redução da escalada do conflito que prevê uma diminuição das operações do exército, pela primeira vez desde o arranque das conversações.

“Timochenko” vai deslocar-se a Cuba para se encontrar com os negociadores, apesar da centena de mandados de prisão emitidos contra si, suspensos em dezembro último para lhe permitir participar nas negociações como representante das FARC.

“Timochenko”, cujo verdadeiro nome é Rodrigo Londonio Echeverri, de 56 anos, é perseguido pela justiça colombiana por vários crimes, incluindo terrorismo.

“Estamos perto” do fim da guerra, declarou Juan Manuel Santos.

O conflito na Colômbia, envolvendo o exército, as guerrilhas marxistas das FARC e do guevarista Exército de Libertação Nacional (ELN), paramilitares de extrema-direita e grupos criminosos com ligações ao narcotráfico provocou mais de 220.000 mortos e seis milhões de deslocados nos últimos 50 anos, segundo números oficiais.