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David Brin: “A arte mudou o mundo”

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É astrofísico de formação mas é conhecido como escritor. David Brin acredita que “a mais elevada forma de ficção científica é a profecia auto-preventiva” e que a arte já evitou muitas catástrofes.

facebook.com/AUTHORDAVIDBRIN

David Brin é um homem calmo na voz, nos gestos e na atitude. Reflete sobre o passado, sobre as estruturas sociais e sobre como a tecnologia pode moldar o nosso futuro. O horizonte do astrofísico e autor de ficção científica projeta-se sempre para os anos à nossa frente, mas não simpatiza com o termo “profecia”, ainda que os seus livros tracem cenários a 30, 50, 200 anos.

Tem quase duas dezenas de livros publicados, entre romances, contos, novelas ilustradas e colaborações; um deles, publicado em 1985, serviu de argumento ao filme “O Mensageiro” (“The Postman” — 1997). O autor e cientista esteve em Portugal na conferência “Admirável Mundo Novo” organizada pela FFMS, onde participou no painel “The Digital Self – Empowered by Light”.

Em entrevista ao Observador, refletiu sobre ciência, tecnologia e sobre a sociedade. Aliás, David Brin não hesita em meter tudo no mesmo saco. Começou por defender que a atual estrutura social “em forma de diamante” evita grandes tragédias e falou da relação entre arte e ciência.

Com a tecnologia apareceu o “Big Brother” e com ele, outra vez, o medo. Brin compreende o “medo da tecnologia” e olha para a história da humanidade para explicar que as emoções básicas não mudam. Não mudam pela evolução tecnológica, muito menos com o advento da Inteligência Artificial.

A tecnologia oferece à humanidade oportunidades maravilhosas, é essencial para o desenvolvimento pessoal e social mas deve ser sempre questionada. É também aqui que entram os livros (a arte): “Na ficção científica podemos criar metáforas que são formas exageradas de algo que está a acontecer na atualidade”. David Brin explica com grande clareza a relevância histórica de o género literário que, segundo ele, melhor faz a ponte entre a arte e a ciência.

Imaginar o futuro é um exercício premonitório que, como não podia deixar de ser, inclui olhar para a morte — para o fim do mundo. É um dos tópicos abordados no último livro “Existence”, mas como quase sempre, trata-se de uma metáfora, pelo facto de “nós sermos todos mortais e há pessoas que pensam conseguir alterar isto através da tecnologia. […] Nos dias que correm, os transcendentalistas tecnológicos acreditam que podemos alterar o curso, usando as próprias ferramentas de Deus: manipulação genética, robótica, este género de coisas.”

David Brin reflete também sobre como a ciência e a tecnologia modelaram os sistemas sociais. E deixa um alerta perigoso: o regresso ao “sistema de pirâmide”.

A tecnologia avança de forma imparável e com ela os perigos do “Big Brother”. Defende e antevê um futuro mais transparente. Considera que apenas o controlo recíproco entre cidadãos e elites (políticas e económicas) permitirá a sustentabilidade social.

David Brin está também a trabalhar num romance onde desenha um “Universo de elevação animal que envolve golfinhos no espaço. Que mais poderia Hollywood desejar?”, graceja. Afinal, é isso que lhe paga as contas.

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