Tudo começou em 2002, quando Flo Razowsky começou a assistir à construção do Muro da Cisjordânia enquanto estava na Palestina a trabalhar com a comunidade local. Deu-se conta que aquele muro tinha mais dela própria do que parecia à primeira vista: “Enquanto judia, esta parede foi construída em meu nome. Enquanto cidadã americana, este muro foi construído com os meus impostos”, explicou à Slate.

Decidiu então iniciar o projeto “Up Against the Wall”, que dura até aos dias de hoje. Percorre fronteiras erguidas pelos países. Passou algum tempo nas fronteiras da Palestina, mas também entre a Ucrânia e a Eslováquia, Sérvia e Croácia, México e Estados Unidos, Marrocos e Espanha.

Ao olhar para todas elas apercebeu-se “do porquê da existência destas estruturas, quem as constrói, para que fim e quem sofre os seus impactos”. E foi assim que esteve em contacto mais direto com os conflitos políticos e com os problemas das migrações em massa. Teve, no entanto, de ter alguns cuidados, conta: se por vezes foi capaz de fotografar de perto as estruturas de metal e as forças militares que as guardam, houve momentos em que teve de captar imagens ao longe sob risco de ser alvejada.

Há quatro anos, Flo Razowsky organizou uma exposição com as imagens captadas até então e pediu “justiça social” às organizações competentes. “Acredito que a arte tem o poder de mover as pessoas”, explicou. Por isso continuou a apanhar aviões e comboios em busca de mais histórias para contar, estando principalmente interessada nas fronteiras que as pessoas decidem atravessar mesmo colocando a vida em risco, conta o Wall Street Journal, falando obviamente do caso dos imigrantes ilegais. “Escolhi estas localizações porque penso que é importante expor aqueles que não estão em grandes dificuldades neste mundo aos custos dos nossos privilégios”, justifica.

Na fotogaleria pode encontrar 16 das imagens mais recentes de Flo Razowsky. Agora o”Up Against the Wall” vai levar a fotógrafa a revisitar alguns dos sítios por onde já andou. Numa viagem cada vez a ganhar mais atualidade, quando ao drama dos imigrantes o Mediterrâneo se juntou o de Calais (a tentativa de atravessar o canal da Mancha de França para Inglaterra) e se constrói um novo muro na Europa: na Hungria.