O Banco Popular da China procurou esta quinta-feira atenuar os receios de que poderá haver novas iniciativas por parte do banco central para desvalorizar a moeda local, o yuan. Uma responsável do banco central fez uma rara comunicação pública para dizer que “não há fundamento” para novas mexidas no valor do yuan, depois das duas revisões em poucos dias que o Banco Popular da China fez ao valor da moeda. Mas ficou a garantia: o banco central voltará a atuar “se a volatilidade no mercado se tornar excessiva e se o mercado começar a comportar-se como um rebanho de ovelhas”.

“Confiemos no mercado, temamos o mercado, sigamos o mercado”. Este é o lema de Yi Gang, adjunta do governador do Banco Popular da China (Zhang Xiaohui). A responsável deu esta quinta-feira a entender que a autoridade monetária, que controla com mão férrea a taxa de câmbio, terá ficado por aqui no que diz respeito a desvalorizações deliberadas do yuan. Estas mexidas têm abalado os mercados financeiros internacionais esta semana, temendo-se um impacto negativo para as empresas que exportam para a China e, por outro lado, receando-se que este seja um sinal de fraqueza na segunda maior economia do mundo.

O Observador explicou-lhe aqui, em maior detalhe, o que está em causa nesta questão.

Os comentários da responsável do banco central chinês surgiram depois de as mexidas na política monetária terem levado à maior oscilação da moeda nos últimos 21 anos, segundo a Bloomberg. O valor do yuan caiu 1,1% na quarta-feira, 1,6% na terça e 1,9% na segunda-feira. Com estes comentários, a moeda está a estabilizar. “O valor do yuan voltou gradualmente aos níveis do mercado”, assegurou a responsável, admitindo voltar a atuar caso o “mercado se comporte como um rebanho de ovelhas”.

As decisões desta semana foram vistas por alguns analistas como o início de uma guerra cambial, em que os bancos centrais tentam diminuir – de forma competitiva – o valor das suas moedas para tornar as exportações dos seus países mais atrativas no mercado internacional. O banco central garantiu, contudo, que esta não era a intenção. Mesmo com a desaceleração da economia nos últimos trimestres, as autoridades chinesas garantem que não estão, através desta decisão, a tentar dar um empurrão às exportações para assegurar que o crescimento acelera. A justificação dada pelo banco central chinês é que esta medida se enquadra num conjunto de iniciativas para modernizar o mercado financeiro chinês.

Perante a incerteza sobre as causas e consequências desta decisão, alguns especialistas lembram que o FMI vai decidir até ao final do ano se inclui a moeda chinesa nos Direitos Especiais de Saque (SDR) no fundo. Se for aceite, a moeda chinesa dará um passo de gigante na sua afirmação como moeda de reserva internacional, juntando-se ao dólar, euro, libra esterlina e iene.

O Financial Times recorda que o FMI aplaudiu, recentemente, os esforços da China no campo da modernização financeira, mas pediu uma melhoria do acesso por parte de estrangeiros aos mercados de ações e obrigações da China. Em nota enviada ao Observador, Craig Botham, economista de mercados emergentes da Schroders, uma gestora de fundos, diz que “é muito mais importante para a China o aumento do papel do mercado na definição do valor da moeda. Por isso, vemos esta questão mais como uma reforma apontada à inclusão nos SDR, e não como um impulso ao crescimento”.