A vice-presidente da bancada parlamentar do CDS, Cecília Meireles, defendeu esta sexta-feira que o crescimento de 1,5% do PIB, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), mostra que o crescimento económico do país é “consistente, sólido e coerente”.

“É ainda uma estimativa rápida, mas acho que podemos já dizer que este crescimento é consistente, é sólido, é coerente”, afirmou Cecília Meireles aos jornalistas numa conferência de imprensa na Assembleia da República, em Lisboa.

A economia portuguesa cresceu 1,5% no segundo trimestre de 2015 face ao período homólogo e registou um crescimento em cadeia de 0,4%, segundo números divulgados pelo INE. “Estes números são expressivos e são positivos”, continuou a dirigente centrista, acrescentando que “manifestamente se enganaram aqueles que falavam da recessão ou de crescimento frágil”.

Para o CDS, “a economia portuguesa tem razões para estar confiante”. “A confiança quer dos consumidores, quer das empresas, pode ser um grande motor para a economia e estes números mostram bem que a economia portuguesa tem razões para estar confiante”, vincou. A deputada declarou também que o “crescimento português é acima da média da zona euro”, tendo sublinhado que o país tem estado a crescer em cadeia “há mais de sete trimestres consecutivos”.

A parlamentar do CDS realçou ainda o aumento divulgado também esta sexta-feira pelo INE de 7% das dormidas de turistas na hotelaria portuguesa em junho, face ao mesmo mês de 2014, o que, na opinião de Cecília Meireles “mostra bem como Portugal é cada vez mais um destino atrativo”.

“Os turistas vêm a Portugal deixam cá o seu dinheiro, deixam cá a sua admiração, o que é bom para nós, mas também criam postos de trabalho através do investimento e do dinheiro que deixam aqui”, declarou aos jornalistas.

Para Pires de Lima, o crescimento de 1,5% da economia portuguesa no primeiro trimestre é “francamente positivo”. Em declarações aos jornalistas, o ministro da Economia defendeu tratar-se de um crescimento sustentado numa “forte recuperação” do investimento e destacou que há sete trimestres consecutivos que a economia nacional está a crescer e que “há anos” que a economia portuguesa não crescia mais do que a economia do euro. “Estamos a crescer mais do que a zona euro”, afirmou Pires de Lima.

O ministro atribuiu os ‘louros’ do crescimento económico ao setor empresarial, afirmando que o mérito é das empresas, e defendeu que o país está agora num caminho “certo, seguro, sólido e que cria emprego”. O governante mostrou-se ainda convicto de que o aumento poderá acelerar nos próximos meses.

PS diz que números do PIB são preocupantes

O PS considerou preocupante a taxa de crescimento de 1,5% no segundo trimestre de 2015 face ao período homólogo, lembrando que está aquém de todas as previsões e mostra que Portugal não acompanha o resto da Europa. “Os valores encontram-se no patamar inferior de todas as previsões”, afirmou o deputado do PS João Galamba, numa declaração aos jornalistas na Assembleia da República.

Insistindo que os números conhecidos “estão aquém das estimativas do Governo para todo o ano” – 1,6% para 2015 – João Galamba sublinhou que a estimativa rápida das contas nacionais trimestrais mostram também “um país que não acompanha todos os países que aceleram o seu crescimento na zona Euro e na União Europeia“.

“Numa altura em que a Europa acelera o seu crescimento, sobretudo Espanha que quase duplica o seu crescimento e cresce a 3%, a Grécia cresce a 1,4%, todos os países da convergência aceleram o seu crescimento e em que os países do Leste da Europa aceleram o seu crescimento, Portugal é o único país de todos estes que mantém o crescimento inferior”, referiu o membro do secretariado nacional do PS.

Por outro lado, continuou, os números mostram igualmente um país cuja composição do seu crescimento é exatamente o oposto do que o Governo sempre defendeu, ou seja, conter a procura interna e assentar o crescimento português na procura externa líquida, na diferença entre exportações e importações.

“O que o INE vem dizer é que aconteceu exatamente oposto, é a procura interna que cresce e o comércio externo pesa negativamente com uma deterioração significativa do nosso saldo comercial”, vincou o deputado socialista.

João Galamba, que classificou os números como preocupantes, destacou ainda o facto dos números agora divulgados mostrarem que Portugal não está a tirar partido das “condições externas altamente benéficas”, nomeadamente do programa do BCE (Banco Central Europeu) de compra de ativos, da queda muito significativa do preço do petróleo e da desvalorização do euro.