Merkel voltou das férias e numa entrevista falou pela primeira vez do desfecho do acordo sobre o terceiro resgate à Grécia, mostrando-se confiante na participação futura do FMI, dizendo que não tem dúvida que as metas definidas pela organização na primeira avaliação à Grécia em outubro, se vão tornar realidade. Sobre as negociações com a Grécia, a chanceler disse ter recebido muito apoio, especialmente da Irlanda e de Portugal.

Para assinalar o regresso ao trabalho depois de uma curta pausa para descanso, Angela Merkel disse em entrevista ao canal televisivo ZDF, que a Alemanha conto “com muito apoio” durante as negociações com a Grécia, negando que o país tenha sido demasiado duro. “Não estamos a ajudar quando somos todos muito simpáticos uns para os outros e daqui a dois ou três anos a situação está na mesma. A crise da zona euro já dura há demasiado tempo”, disse Merkel, contando que o apoio para esta linha veio de países como Irlanda e Portugal.

“Há alguma esperança” de que o terceiro plano de ajuda internacional de 86 mil milhões de euros, adotado sexta-feira pelos ministros das Finanças da zona euro, possa resolver o problema grego, afirmou Angela Merkel numa entrevista à cadeia pública de televisão ZDF, citada pelas agências AFP e EFE.

“O que temos visto entre a primeira sessão especial (o parlamento alemão aprovou a 17 de julho o princípio de uma nova ajuda à Grécia) e o resultado das negociações (entre Atenas e os seus credores a 11 de agosto), é que o Governo grego tem trabalhado de forma completamente diferente do que nos meses anteriores”, acrescentou.

O Governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras “entendeu que o país poderia recuperar se as reformas fossem mesmo feitas”, adiantou. Angela Merkel, no entanto, insistiu que serão ainda necessários “muitos passos” para a Grécia implementar as muito exigentes reformas, de forma a beneficiar do ‘balão de oxigénio’ financeiro.

Quanto à participação do FMI, Merkel acredita que Christine Lagarde, diretora do FMI vai recomendar que a organização participe no resgate logo que os resultados das reformas acordadas neste resgate – e que foram adotadas na semana passada, durante a reunião do Eurogrupo – sejam conhecidos em outubro. “A senhora Lagarde, diretora do FMI, deixou claro que caso as metas fossem alcançadas, ela recomendaria à administração do FMI que a instituição participasse no programa a partir de outubro. Eu não tenho dúvida que o que Christine Lagarde disse se vai tornar realidade”, afirmou a chanceler.