A ex-presidente do PS Maria de Belém anunciou esta segunda-feira que se vai candidatar às eleições presidenciais de 2016.

“Apresentarei publicamente a minha candidatura após as eleições legislativas de 4 de outubro”, disse Maria de Belém numa nota enviada à agência Lusa, apenas algumas horas depois de ter estado ao lado de António Costa, entregando as listas do PS para o círculo de Lisboa, referentes às próximas legislativas.

No breve comunicado, que já está disponível na página oficial de apoio à sua candidatura no Facebook, Belém é taxativa: “Comuniquei ao Secretário Geral do Partido Socialista a intenção de me candidatar à Presidência da República. A prioridade para o Partido Socialista, neste momento, são as eleições legislativas, como sempre afirmei. No entanto, para evitar especulações e pelo respeito que me merecem as muitas pessoas que me têm manifestado o seu apoio, entendi dever divulgar a minha decisão. Apresentarei publicamente a minha candidatura após as eleições legislativas de 4 de outubro.”

À hora em que o comunicado era enviado, o líder do PS estava na SIC-Notícias, tendo sido confrontado com a notícia em direto pela jornalista. “A minha resposta é sempre a mesma. Só no momento próprio comunicaremos uma decisão sobre a eleição presidencial. Pergunta-me se tenho também apreço pela Maria de Belém? Claro que tenho. Ainda hoje estivemos a entregar as listas por Lisboa. É a demonstração que a própria prioridade dela é a vitória nas eleições legislativas”, disse António Costa. Mais tarde, António Costa insistiu que Maria de Belém “sabe qual é o calendário do PS. Que depois das legislativas tomaremos uma decisão sobre as presidenciais”.

Costa tem feito vários elogios a Sampaio da Nóvoa, nomeadamente como independente “próximo da família socialista”, declarações reiteradas na sua entrevista à Visão. Esta tarde, à SIC-Notícias, Costa disse ainda: “Nem sabemos qual o universo total das pessoas que se vão candidatar. Se tivéssemos tomado essa decisão há dois meses, não contaríamos com a doutora Maria de Belém. No momento próprio tomaremos a decisão”

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Maria de Belém começou o seu percurso profissional ainda na era marcelista na Direção-Geral da Previdência. Após o 25 de abril juntou-se a Maria de Lourdes Pintassilgo, então Secretária de Estado da Segurança Social, integrando o seu gabinete como jurista. Entrou cedo para o PS e já desempenhou quase todos os lugares de relevância no partido e nos seus órgãos. Foi deputada em várias legislaturas, líder parlamentar e presidente do partido – a primeira mulher a desempenhar este cargo. Durante a disputa entre Costa e Seguro, Belém ficou ao lado do então líder do partido e quando este perdeu as primárias, ela demitiu-se.

O trabalho de Maria de Belém esteve sempre ligado maioritariamente à Saúde, Segurança Social e Trabalho. Foi ministra de Guterres, primeiro com a pasta da Saúde entre 1995 e 1999 e depois com a pasta da Igualdade entre 1999 e 2000. Desde que a apresentou a sua candidatura, Maria de Belém tem sido contestada por ter trabalhado para a Espírito Santo Saúde ao mesmo tempo que era presidente da Comissão de Saúde na Assembleia da República. Este trabalho como consultora foi declarado pela própria e foi considerado que não havia qualquer incompatibilidade pelo Parlamento.