Férias. Há quem as passe na praia. Outros, no campo. Thomas Thwaites prefere passá-las nos Alpes suíços, a tentar ser uma cabra. Pelo menos foi o que fez em setembro de 2014.

Numa tentativa de aproximar a experiência da realidade, este designer conceptual britânico — que tem explorado o que é ser uma cabra ao longo do último ano — usou próteses com cascos, para conseguir andar sobre os quatro membros. E, de acordo com o site Motherboard, chegou a considerar fabricar um estômago artificial (rúmen) que lhe permitiria digerir erva, com a ajuda de bactérias existentes no organismo das cabras reais. Também assistiu a uma cabra a ser dissecada e até consultou um especialista no comportamento deste animal.

A experiência viria a revelar-se mais difícil do que o inicialmente esperado. Thwaites teve de encontrar apoio para esta aventura — principalmente quem o deixasse vaguear pela sua propriedade com as cabras — e convencer as próprias cabras de que ele também fazia parte do grupo. À noite, ele e a equipa tinham de dormir em tendas. E, além disso, as próteses também requereram um pequeno período de habituação.

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Segundo o mesmo site, no total, Thomas Thwaites passou três dias com as cabras, e outros três dias sozinho. À Motherboard, o designer descreveu ainda um dos momentos mais marcantes desta aventura:

“Eu estava com as cabras, quase no ponto mais alto duma colina, e foi quando olhei e percebi que todas elas tinham parado de mastigar e estavam a olhar para mim. Não tinha sentido medo antes, mas fiquei logo consciente dos seus chifres afiados e pontiagudos.”

Mas Thwaites não sofreu nenhum trauma grave e um pastor que acompanhava o rebanho chegou mesmo a indicar que as cabras o aceitaram bem.

No entanto, Thomas Thwaites não passou por tudo isto em vão. Por um lado, segundo o site Mashable, o projeto surgiu da necessidade do designer simplificar a sua própria vida. “O meu objetivo foi tirar umas férias da dor e preocupação de se ser um ser auto-consciente.” Por outro, a investigação representa uma contribuição para a discussão sobre a impossibilidade de adotarmos perspetivas diferentes das nossas. Por exemplo, as novas tecnologias habituaram-nos a ouvir falar de evolução. Mas não é razoável acreditar que toda a gente pode querer ser “super-inteligente” no futuro. Pode haver quem prefira regredir em vez de evoluir, explica à Motherboard.

O trabalho de Thwaites — já distinguido pela instituição Wellcome Trust — será exposto em Londres, no London’s Studio1.1 Gallery, entre 4 e 13 de setembro. A experiência resultará ainda na publicação dum livro no próximo ano, intitulado GoatMan: How I Took a Holiday from Being Human (“O Homem-Cabra: Como Eu Tirei Férias de ser Humano”, em português). A obra estará à venda a partir de 12 de abril.

Thomas Thwaites também ficou conhecido por outros projetos insólitos. Num deles — The Toaster Project — o designer tentou fabricar uma torradeira a partir do nada. Para isso teve escavar nas minas, obter ferro, derivar plástico do petróleo, entre outras coisas. Em 2010, esse trabalho valeu-lhe a participação numa conferência TED Talk, em Londres.