“The Drinkable Book” não é propriamente um livro que se beba, mas cada uma das páginas destacáveis permite filtrar 100 litros de água suja para a transformar em água potável. A tecnologia e os resultados dos ensaios realizados em África foram apresentados esta segunda-feira, depois de devidamente testados. E funciona.

“Em África, tentámos ver se os filtros funcionariam com ‘água real’ e não água intencionalmente contaminada no laboratório”, disse a investigadora. E mesmo depois de testarem o papel em água de esgoto recém-descarregada, e carregada de bactérias, os resultados foram tão bons quanto o esperado.

A apresentação decorreu no 250º Encontro e Exposição Nacional da Sociedade Americana de Química, segundo o comunicado da organização. Durante o doutoramento na Universidade McGill (Canadá), e mais tarde no Centro de Saúde Global da Universidade da Virgínia (Estados Unidos), Theresa Dankovich verificou que introduzir nanopartículas de prata ou de cobre em papel grosso era suficiente para eliminar uma grande quantidade de bactérias e vírus das águas contaminadas – 99,9% de pureza da água, segundo os ensaios conduzidos em 25 sítios contaminados (África do Sul, Gana, Quénia, Haiti e Bangladesh).

No último ano, Theresa Dankovich criou uma empresa sem fins lucrativos – pAge Drinking Paper -, que, em colaboração com outra organização sem fins lucrativos Water is Life e com o designer Brian Gartside, criou o livro cujas páginas estão impregnadas de partículas minúsculas de prata. Em cada página existe informação sobre a contaminação da água: de um lado em inglês, do outro na língua local onde o filtro será usado. As páginas são arrancadas e colocados num dispositivo (a caixa do livro), depois é só despejar a água contaminada. Cada página filtra 100 litros de água e cada livro vai filtrar a água necessária para uma pessoa durante quatro anos.

O Fórum Económico Mundial considerou, em 2015, que a crise da água (water crises) era o maior risco global em termos de impacto na sociedade e o oitavo mais provável de acontecer nos próximos 10 anos. Cerca de 750 milhões de pessoas não tem acesso a água potável: 358 milhões em África e 366 milhões no sudoeste e sudeste asiático. Por causa disso, a cada minuto morre uma criança com uma doença relacionada com a ausência de água de qualidade.