Um ataque na semana passada dos ‘jihadistas’ do Boko Haram a uma aldeia no nordeste da Nigéria terá causado a morte de 160 pessoas, disseram hoje habitantes, por entre desmentidos oficiais sobre o assalto.

Na terça-feira, um habitante da aldeia de Kukuwa-Gari, Bukar Tijjani, disse à agência France Presse que a sua aldeia, no estado de Yobe, tinha sido atacada por “homens armados do Boko Haram” na quinta-feira “o que levou à morte de cerca de 150 pessoas”.

“A maioria das vítimas morreu afogada no rio quando tentava fugir”, adiantou.

Um responsável do governo local confirmou o ataque, mas indicou um balanço de cerca de 50 mortos, enquanto o Diretor de Informação da Defesa, coronel Rabe Abubakar, foi citado na estação privada Channels TV a dizer que as informações sobre o incidente eram “falsas”.

A estação não esclareceu se Abubakar se referia ao balanço ou à ocorrência do incidente e a AFP não conseguiu contactar o militar.

Caso seja correto o balanço dos habitantes, trata-se do maior número de mortes num único ataque do grupo radical islâmico nigeriano desde que o presidente Muhammadu Buhari tomou posse em maio, tendo como prioridade vencer os rebeldes.

Alhaji Kankana Sarkin-Baka, líder de um grupo local de caçadores que lutou contra os rebeldes juntamente com grupos de vigilantes, disse que 17 combatentes chegaram à aldeia de motorizada, encontrando-se entre eles um emir ou comandante do Boko Haram da zona.

“Eles tinham poder de fogo superior porque tinham armas modernas enquanto nós usámos armas de caça (…) eles eram menos que nós”, disse à AFP.

“Até agora enterramos 160 pessoas. E deste número só oito corpos tinham feridas de tiros, o que quer dizer que todos os outros se afogaram”, adiantou.

Sarkin-Baka disse que os caçadores mataram 14 dos atacantes, incluindo o emir e o seu adjunto, enquanto três escaparam com ferimentos.

Informações sobre o ataque só foram conhecidas cinco dias depois porque os postes de telecomunicações à volta da aldeia, a 50 quilómetros da capital do estado de Yobe, Damaturu, há muito que foram destruídos pelos rebeldes.

Iniciada em 2009, a insurreição islamita e a sua repressão pelas forças nigerianas causaram mais de 15.000 mortos e mais de 1,5 milhões de deslocados.

O Boko Haram pretende criar um estado islâmico no norte da Nigéria, maioritariamente muçulmano, ao contrário do sul de maioria cristã.