A Comissão Europeia acredita que a participação do FMI no resgate à Grécia vai regressar em outubro, no âmbito do seu próprio programa com a Grécia que só termina em março do próximo ano, disse esta quarta-feira o vice-presidente da Comissão Valdis Dombrovskis.

Numa entrevista à Bloomberg, o responsável pelos assuntos relacionados com o euro, e que tem assento no Eurogrupo, diz que o FMI participou na discussão do Eurogrupo que aconteceu na semana passada sobre o resgate à Grécia e que a participação do Fundo deve voltar a participar no resgate em outubro.

“No Eurogrupo da semana passada o FMI também participou na discussão e é claro que o FMI tem os seu próprios procedimentos e irá voltar ao seu próprio programa no Outono, em outubro, e certamente que estamos a trabalhar também tendo em vista a participação plena do FMI no programa”, disse Valdis Dombrovskis.

Recorde-se que apesar do programa assinado com a Europa ter terminado em junho, depois da falta de acordo entre Atenas e o Eurogrupo, o programa do FMI só termina no final do primeiro trimestre de 2016. No entanto, este programa está suspenso uma vez que Atenas não tem cumprido as condições para se voltar a realizar uma revisão.

Valdis Dombrovskis admite também a imposição (pública) do Fundo de uma nova reestruturação na dívida grega para voltar a participar num resgate à Grécia – o terceiro desde 2010, sendo que o primeiro e o segundo não chegaram a ser concluídos -, mas reconhece que isso será difícil já que existe uma forte oposição dos ministros das Finanças da zona euro a um novo alívio.

“Sabemos que uma das dificuldades é a condicionalidade associada à dívida, com o FMI insistir em mais alívio na dívida para a Grécia, que tem tido grande resistência dos ministros das Finanças da zona euro”, afirmou.

Sobre os bancos gregos, Valdis Dombrovskis diz que só serão tomadas decisões sobre novas medidas depois de realizadas análises à qualidade dos ativos nos balanços e testes de stress.

Os bancos gregos poderão ter de aumentar capital devido à intensa fuga de depósitos que sofreram na primeira metade do ano, especialmente no período crítico das negociações que acabaram com o segundo resgate grego a não ser concluído e com o anúncio de um referendo à proposta dos credores. A intensificação da fuga de capitais levou mesmo Atenas a impor controlos de capitais uma semana antes da realização do referendo, controlos esses que se mantêm efetivos, ainda que tenham sido aliviados algumas vezes.