O Estado Islâmico decapitou o arqueólogo responsável pela antiga cidade de Palmira, na Síria, e pendurou o seu corpo num coluna na cidade considerada património mundial pela UNESCO.

Kaled al-Asaad tinha 82 anos e foi durante mais de cinco décadas o diretor de antiguidades da antiga cidade de Palmira, uma antiga cidade semita em Homs, na Síria, cujos vestígios da sua existência remontam ao período do neolítico, 7500 anos Antes de Cristo, e com locais de culto que remontam pelo menos a 2300 Antes de Cristo.

Este antigo responsável da cidade terá sido interrogado e torturado durante um mês, com as imagens da sua decapitação a surgirem na internet, em sites ligados ao movimento terrorista islâmico. O corpo de Kaled al-Asaad foi pendurado numa coluna em Palmira, com uma placa ao peito com o seu nome para o identificar.

A notícia foi avançada pelo diretor de antiguidades e dos museus da Síria e por uma organização não-governamental, que terão sido informados pela família do arqueólogo.

A decapitação do responsável terá acontecido perante a assistência de dezenas de pessoas, segundo o Observatório Sírio para os Direitos do Homem.

A antiga cidade foi capturada em maio ao regime sírio, mas antes centenas de estátuas foram mudadas para localizações seguras por receio que fossem destruídas pelos militantes do Estado Islâmico, que já o tinham feito noutros locais e como viria a acontecer com dois antigos templos nesta cidade já em junho. Na interpretação rígida que fazem do Corão, o livro sagrado do Islão, os militantes consideram como sacrilégio a adoração a estátuas humanas ou animais, e proíbe a visita a locais históricos e arqueológicos.

Kaled al-Asaad era acusado pelo movimento de ser parte do regime sírio por representar a Síria em conferências no estrangeiro, e de se relacionar com infiéis.