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“Vim visitar amigos na minha primeira viagem à Europa e parámos um atentado terrorista. Um bocado de loucos”. As palavras são de Anthony Sandler, um dos três norte-americanos que ajudaram a dominar um marroquino de 26 anos que disparou sobre os passageiros num comboio de alta velocidade, que viajava entre Amesterdão e Paris.

Ao final da tarde de sexta-feira um cidadão marroquino, já referenciado pela polícia espanhola e francesa por suspeita de ligação a grupos terroristas, armado de uma pistola, uma faca e uma espingarda Kalashnikov tentou disparar sobre os passageiros de um comboio de alta velocidade perto de Arras, em França.

A tragédia só foi evitada porque três amigos norte-americanos, que estavam na Europa para visitar amigos, avançaram para dominar o homem assim que os disparos começaram. Dois deles são militares, da Força Aérea e da Guarda Nacional, o outro era um amigo de infância.

Nas palavras dos próprios, e de alguns dos passageiros presentes, a BBC explicou o que se passou no comboio e relata os atos heroicos dos três norte-americanos, que já foram elogiados por Barack Obama, David Cameron e François Hollande.

A cena terá começado quando um passageiro francês entrou na casa de banho do comboio e deu de caras com o atirador. O passageiro tentou dominá-lo, mas a arma acabou por disparar ferindo um outro passageiro. Spencer Stone, Alek Skarlatos (os dois militares) e Anthony Sandler intervieram logo de seguida.

“O Spencer apanhou-o primeiro e agarrou-o pelo pescoço. Eu agarrei na arma, tirei-a e atirei-a para longe. Depois apanhei a AK-47 (conhecida como Kalashnikov) que estava aos seus pés, e comecei a bater-lhe com ela na cabeça”, explicou Alek Skarlatos.

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Imagens registadas quando o atirador já estava imobilizado no chão do comboio e os feridos estavam a ser socorridos pelos presentes. Num dos bancos vê-se a Kalashnikov que os norte-americanos conseguiram tirar ao atacante.

“Todos os passageiros começaram a bater-lhe enquanto o Spencer o agarrava pelo pescoço até que ficou inconsciente”, acrescentou. Antes disso, o atirador ainda pediu que lhe devolvessem a arma, contou o britânico Anthony Sadler, que vive atualmente em França, citado pelo Guardian.

Por sorte, explicou o militar, a espingarda estava encravada e por isso não podia disparar. Mas enquanto Spencer Stone tentava controlar o atacante, este usou uma faca para o agredir, conseguindo fazer vários cortes no pescoço e nas mãos, deixando-o gravemente ferido.

Um outro passageiro ficou gravemente ferido após sofrer cortes profundos no pescoço. Anthony Sadler, o amigo de infância, explicou que Spencer Stone, apesar de gravemente ferido, foi de imediato ajudar o passageiro ferido, que estava a sangrar intensamente do pescoço, assim que o atacante foi dominado.

Ambos continuam no hospital.

“Estou muito orgulho por o meu amigo ter reagido de forma tão rápida e corajosa”, disse Anthony Sadler à BBC.

Tripulação fechou-se numa cabine

No comboio seguia ainda um ator francês. Jean-Hugues Anglade, que conta numa entrevista separada à Paris Match que assim que ouviram os disparos, a tripulação do comboio fechou-se dentro de uma cabine de segurança e deixou os passageiros sozinhos.

“Pensava que era o fim, que íamos todos morrer, que ele nos ia matar a todos. Pensava mesmo que íamos todos morrer porque estávamos fechados naquele comboio, seria impossível escapar a esse pesadelo”, disse.

Suspeito esteve sob vigilância policial

Segundo as autoridades francesas, o atacante viveu em Espanha em 2014 e na Bélgica este ano, mas agora vivia em França. As secretas espanholas terão passado informação sobre o suspeito às autoridades francesas ainda em fevereiro do ano passado.

A justiça belga também já abriu uma investigação antiterrorista.