Galileu Galilei foi o primeiro homem a olhar para a Lua. É esta a versão que a história gosta de recordar sobre o astrónomo que inventou o telescópio. Foi há precisamente quatrocentos e seis anos que o italiano aperfeiçoou a luneta do holandês Hans Lippershey, conta o Universe Today.

Olhou para o céu e viu a Lua como mais ninguém a tinha visto na época. Era “irregular, áspera, cheia de cavidades e proeminências”, descreveu Galileu Galilei. Em 1610, um ano após ter olhado para a Lua, o astrónomo estava a lançar o livro “Mensageiro das Estrelas”. Em apenas um ano já tinha conseguido observar Júpiter, os anéis de Saturno, as manchas solares e as fases de Vénus. Foi então que veio com uma teoria: é o Sol, não a Terra, que ocupa o centro do universo, à volta do qual orbitam todos os outros corpos celestes.

Numa época onde ciência e religião se confundiam e em que o homem ocupava o cerne do pensamento, o revolucionário Galileu Galilei foi atirado contra a parede pela Inquisição. O Tribunal do Santo Ofício veio dizer que todas as palavras do astrónomo italiano eram “heréticas e temerárias”. Galileu foi obrigado a sublinhar que o heliocentrismo não passava de uma mera hipótese. O astrónomo concordou, mas prosseguiu as suas investigações.

Em 1633, Galileu é atirado para a prisão. Após ser torturado, terá sido obrigado a ler uma carta de abjuração. Eis parte dela (clique no link ao lado para ler a versão completa):

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Eu, Galileu Galilei, (…) juro que sempre acreditei, e, com o auxílio de Deus, acreditarei no futuro, em tudo a que a Santa Igreja Católica e Apostólica de Roma sustenta, ensina e pratica. Mas como fui aconselhado (…) a abandonar totalmente a falsa opinião que sustenta que o Sol é o centro do mundo e que é imóvel, e proibido de sustentar, defender ou ensinar a falsa doutrina de qualquer modo; e porque depois de saber que tal doutrina era repugnante diante das Sagradas Escrituras, escrevi e imprimi um livro, no qual trato da mesma e condenada doutrina, e acrescendo razões de grande força em apoio da mesma, sem chegar a nenhuma solução, tendo sido portanto suspeito de grave heresia; ou seja porque mantive e acreditei na opinião que diz que o Sol é o centro do mundo e está imóvel, e que a Terra não é o centro e se move, desejo retirar esta suspeição da mente de vossas Eminências…

Os livros de Galileu passaram a ser proibidos, Galileu entrou nas grades da Inquisição por “um período a ser determinado” e obrigado a rezar sete salmos por semana ao longo de três dias. Morreu em 1642 na cidade de Florença.

Mas ao longo dos seus setenta e oito anos, Galileu tornou-se num dos homens mais essenciais da história da evolução científica, tanto na área da astronomia como da matemática e física. Hoje, o telescópio de Galileu parece uma brincadeira de crianças ao lado dos maiores telescópios do mundo. É o caso de ALMA, o maior radiotelescópio do mundo, com 66 antenas e 134 milhões de processadores localizado no Chile. No espaço temos o telescópio Hubble, que olha para as profundezas do Universo desde 1990.

Mas se Galileu olhou para a Lua em 1609, para onde andamos nós a olhar hoje? O Observador entrou no arquivo de fotografias da NASA e recolheu 24 das imagens que a agência de exploração espacial norte-americana apresenta todos os dias desde 16 de junho de 1995. Escolhemos algumas das publicadas este ano e descobrimos que Galileu nos pôs a olhar para mundos deslumbrantes. Veja na fotogaleria.

O dia 25 de agosto também está marcado por outro acontecimento ligado à exploração espacial. Há três anos morreu Neil Armstrong, o primeiro Homem a pisar a Lua. Neil Armstrong havia sido operado ao coração uns dias antes, mas não cedeu a complicações causadas pela intervenção cirúrgica. O corpo foi cremado e atirado ao Oceano Atlântico.

Texto editado por Rita Ferreira