O Governo chinês interveio e a bolsa…caiu na mesma. Os investidores continuam a desfazer-se das suas participações nas empresas chinesas e o resultado foi a maior queda em cinco dias desde 1996, com o principal índice da Bolsa de Xangai a fechar o dia a cair 1,27%.

As principais praças europeias tiveram um dia de recuperação na terça-feira, especialmente depois de ser conhecido mais um pacote de medidas do banco central da China para tentar estancar a sangria nas bolsas e estimular a economia.

As notícias animaram os investidores em Xangai, com o seu principal índice a valorizar 4,3% na sessão desta quarta-feira, depois de uma queda de 7,6% na segunda-feira, à qual já chamam de segunda-feira negra. Mas as boas notícias acabariam depressa e o que era uma subida de 4,3% rapidamente se tornou em mais um dia negro para os mercados chineses.

O índice composto de Xangai caiu 1,3% para os 2.927,29 pontos, e até chegou a cair 3,9% a determinada altura da sessão.

O resultado foi a maior queda numa semana de negociações desde 1996. Contas feitas, só desde meados de junho as ações chinesas já perderam metade do seu valor.

Para tentar estancar a sangria nos mercados, o banco central anunciou na segunda-feira um novo corte nas taxas de juro de referência dos empréstimos e depósitos, em meio ponto percentual, e também um novo corte no nível de dinheiro que os bancos têm de manter como reservas.

A medida não teve impacto imediato, com alguns investidores a considerarem que a confiança no Governo chinês já está em causa e que por isso muitos vão querer continuar a desfazer-se das suas participações, independentemente do que o Governo decidir fazer, como explicou o presidente do fundo de investimento Partners Capital International, de Hong Kong, Ronald Wan, em declarações à Bloomberg.

Intervir?

O próprio Governo chinês não parece ainda muito certo do que fazer. Apesar de já ter tomado medidas, algumas delas – como a desvalorização da moeda – sem precedentes, para tentar acalmar os mercados, não só estas não têm tido os resultados desejados, como há quem defenda que os custos são demasiado grandes para compensar.

Como a bolsa chinesa tem uma dimensão relativamente pequena em relação a outros países, com apenas uma pequena parte das empresas a serem negociadas nos mercados, e os bancos são do Estado, há quem defenda dentro do Governo chinês, segundo a agência, que o impacto da queda nos mercados na economia é muito limitado, enquanto o custo de tentar aguentar as bolsas é demasiado alto.

Europa de novo no vermelho

Terça-feira foi um bom dia para as bolsas europeias, que recuperaram das perdas da chamada segunda-feira. A generalidade dos índices fechou com ganhos superior a 3%, o entusiasmo com a intervenção do banco central da China entusiasmava os investidores, que aproveitavam também para comprar ações a desconto. Mas dos EUA já vinha um sinal que a situação iria voltar a complicar, tanto o Dow Jones com o S&P 500 fecharam a perder mais de 1%.

Junta-se os EUA e a China, e a Europa volta a ficar nervosa. Esta manhã, perto das 10h00, as principais praças europeias negociavam todas no vermelho, e todas elas com quedas superiores a 1%.