O Conselho de Segurança da ONU estabeleceu o dia 01 de setembro como a data limite para que o Presidente do Sudão do Sul retire as reservas que colocou ao acordo de paz que assinou com os rebeldes.

“O prazo limite para ele [o Presidente Salva Kiir] é 01 de setembro”, afirmou a embaixadora nigeriana junto da Organização das Nações Unidas (ONU), Joy Ogwu, que preside este mês ao Conselho de Segurança.

Segundo a agência de notícias francesa (AFP), a diplomata acrescentou que o líder do executivo do Sudão do Sul “tem espaço para jogar”, isto é, retirar o anexo com uma lista de reservas que fez questão de incluir ao acordo hoje assinado com os rebeldes, que mantêm um conflito armado contra as forças governamentais há 20 meses.

“A paz que assinamos hoje contém tantas coisas que devemos rejeitar (…) Ignorar tais reservas não seria no interesse de uma paz justa e duradoura”, declarou Kiir, antes de assinar o documento perante dirigentes da região.

Criticando “cláusulas prejudiciais” do acordo, Kiir entregou aos mediadores e aos dirigentes da região um documento de 12 páginas sobre as reservas do seu governo. Não precisou os pontos em causa, mas assegurou que seriam divulgados.

Segundo responsáveis sul-sudaneses, a desmilitarização de Juba, a capital do Sudão do Sul, ou a larga representação acordada aos rebeldes no quadro da partilha do poder local no estado petrolífero do Alto Nilo colocam problemas.

Este acordo “não é nem a Bíblia, nem o Corão, porque é que não poderá ser reanalisado”, questionou Kiir. “Deem-nos tempo para ver como podemos corrigir estas coisas”, adiantou, embora os mediadores tenham afirmado que o acordo é definitivo e não alterável.

O “Acordo de Resolução do conflito no Sudão do Sul” foi assinado a 17 de agosto em Adis Abeba pelo antigo vice-presidente Riek Machar, chefe dos rebeldes que enfrentam as forças governamentais desde dezembro de 2013. Kiir recusou assinar o acordo na mesma altura e pediu 15 dias para “consultas”.

O chefe dos negociadores da parte governamental sul-sudanesa, o ministro da Informação, Michael Makuei, qualificou o acordo de “capitulação inaceitável”.

Kiir criticou ainda “as mensagens de intimidação” que recebeu, numa referência às ameaças de sanções evocadas pela comunidade internacional.

O Sudão do Sul, o mais jovem Estado do mundo, proclamou a sua independência em julho de 2011 após décadas de conflito contra Cartum (capital do Sudão). Voltou à guerra em dezembro de 2013 com combates no seio do exército sul-sudanês, minado por conflitos político-étnicos alimentados pela rivalidade entre Kiir e Machar à frente do regime.

O conflito, marcado por massacres e atrocidades, causou dezenas de milhares de mortos e 2,2 milhões de deslocados. As demoradas negociações em Adis Abeba tinham resultado até agora em vários cessar-fogos sempre desrespeitados.