O jovem marroquino que abriu fogo a bordo de um comboio de alta velocidade em França a semana passada foi acusado de tentativa de homicídio de natureza terrorista, disse hoje fonte judicial.

Ayoud El Khazzani, de 25 anos, está em prisão preventiva e foi também acusado de crime de posse de armas e “participação em associação terrorista com vista à organização de um ou vários crimes”, segundo as alegações do Ministério Público francês.

O Ministério Público qualificou como “fantasias” do suspeito a alegação de que encontrou a arma num parque em Bruxelas, onde estava a dormir com outros sem abrigo e que queria roubar dinheiro aos passageiros do comboio de alta velocidade que fazia a ligação entre Amesterdão e Paris.

O Ministério Público francês vai agora investigar as “origens das armas” e os “cúmplices”.

O marroquino, entrou no comboio na Bélgica, armado com uma espingarda de assalto ‘kalashnikov’ e na posse de nove carregadores, uma pistola e um ‘x-ato’, mas acabou por ser dominado por passageiros, entre os quais três norte-americanos, um britânico e um francês, num incidente que resultou em dois feridos.

Khazzani era conhecido de vários serviços secretos. Segundo uma fonte do contraterrorismo de Espanha, o marroquino viveu no país entre 2007 e 2014, período em que chamou a atenção das autoridades por defender a ‘jihad’, frequentar uma mesquita radical em Algeciras e estar envolvido no tráfico de droga.

O pai disse às autoridades que Khazzani partiu para França para trabalhar na operadora de telemóvel Lycamobile, o que foi confirmado pela empresa, que empregou o marroquino durante dois meses no início de 2014, após os quais o dispensou por não ter a documentação exigida para trabalhar.

Em França, no entanto, Khazzani só chamou a atenção das autoridades quando as forças de segurança da Alemanha alertaram as congéneres francesas de que ele tinha embarcado num voo com destino à Turquia, um sinal de que poderia pretender viajar para a Síria.