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Arqueólogos descobriram lagar de vinho romano em Alijó

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Arqueólogos acreditam ter descoberto um dos lagares de vinho mais antigos do Douro e Trás-os-Montes, datado do século I d. C., em Vale de Mir. Há quatro anos estudam a evolução da ocupação em Alijó.

Vista de uma zona industrial em Alijó.

Rui Manuel Ferreira / Global Imagens

Autor
  • Agência Lusa

Arqueólogos acreditam ter descoberto um dos lagares de vinho mais antigos do Douro e Trás-os-Montes, datado do século I d. C., em Vale de Mir, onde há quatro anos estudam a evolução da ocupação humana no concelho de Alijó.

“É a primeira vez que se encontra um lagar de vinho desta época, fim do século I d. C. nesta zona de Portugal. Temos um lagar de vinho e em baixo temos uma adega”, afirmou esta quarta-feira o arqueólogo Tony Silvino.

O investigador nasceu em França mas os seus pais são naturais de Pegarinhos, freguesia onde se localiza a aldeia de Vale de Mir. O sonho de criança de escavar nesta região concretizou-se em 2012, ano em que arrancou o projeto de investigação sobre a “Ocupação Humana em torno da Aldeia de Pegarinhos”.

Durante a primeira campanha foram feitas sondagens num terreno junto ao castro de Vale de Mir, através das quais foram descobertas estruturas e vestígios de ocupação humana que datam de há cerca de 2500 a 1500 anos. As escavações decorrem junto ao vale do Douro, onde existem várias “lagaretas” e lagares de vinho romanos escavados na rocha.

No entanto, segundo Tony Silvino, neste local foi posta agora a descoberto uma ‘vila’ romana, uma grande quinta, onde se descobriu a estrutura de um lagar de vinho e de uma adega, que se pensa “ser o mais antigo datado nesta zona do país”.

“Aqui temos a chamada parte rústica, a zona económica da quinta. Temos várias atividades, temos os estábulos, encontramos muitas mós, zonas de trabalho do minério (ferro) e temos uma coisa muito importante, um lagar de vinho”, salientou.

O que, na sua opinião, prova que se produzia vinho “há muito tempo nesta região”. Agora, segundo o responsável, o lagar vai ser estudado para se tentar perceber como se fazia o vinho e com se conservava, se em talhas de cerâmica ou em pipas de madeira.

O projeto termina este verão, mas Tony Silvino diz que é importante restaurar e musealizar este espaço. “É muito importante preservar o sítio”, sublinhou. Os trabalhos de campo são dirigidos conjuntamente com o arqueólogo Pedro Pereira e a mão-de-obra é quase toda voluntária, de estudantes ou populares.

Ana Marinho, estudante de mestrado de arqueologia, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, é natural de Alijó e há quatro anos que abdica das férias no mês de agosto para trabalhar nestas escavações.

“É para ganhar experiência, aprender e acrescentar coisas ao que sabemos”, salientou. A jovem salientou que no primeiro ano não se tinha a percepção do que este espaço é. “É um grande orgulho depois de tanto tempo investido, tanto esforço físico e também de interpretação, conseguirmos ter este resultado tão fantástico”, sublinhou.

Tiago Ferreira é de Penafiel e frequenta também o curso de Arqueologia. Para o jovem este trabalho tem sido aliciante pelas descobertas que têm sido feitas, desde as estruturas dos edifícios, às moedas e cerâmicas.

Hoje mesmo foi encontrada uma moeda de bronze que se pensa que remonta ao século I d.C., mas segundo Tony Silvino aqui também já foram descobertas moedas de prata e ferramentas.

O arqueólogo salientou que esta zona do país, desde o vale do Douro a Trás-os-Montes “tem estado um pouco esquecida”, ou seja, está cheio de potencial arqueológico mas tem sido pouco estudado e escavado.

“Sabíamos que havia qualquer coisa aqui, mas não tínhamos ideia da dimensão. Foi uma boa surpresa”, frisou. Tony Silvino referiu que e projeto só é possível devido ao mecenato de empresas, como a Gran Cruz, a Unicer, a Associação Cultural Desportiva e Recreativa de Freixo de Numão e da junta de Pegarinhos.

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