O episódio é caricato — pouco comum quando o tema é a Defesa e a Força Aérea norte-americanas –, mas podia ter terminado em tragédia. O RC-135V é um avião de patrulha e reconhecimento dos Estados Unidos, tripulado e utilizado pelo Pentágono para espiar e recolher informação secreta de alvos que os norte-americanos consideram que devem ser espiados.

Em abril, por exemplo, um destes aviões foi interceptado por um caça SU-27 da Rússia quando sobrevoava o mar Báltico e o incidente causou mal-estar entre os dois países. O Pentágono reagiu logo depois pelo seu porta-voz Mark Wright, que acusou o piloto russo de “fazer manobras agressivas de voo, pouco profissionais e seguras”.

Meses depois, em agosto, quando um destes aviões se preparava para descolar da base militar de Offutt, no Nebraska, algo correu mal e o avião incendiou-se. Ninguém saiu ferido pois o piloto, quando o RC-135V já seguia a uma velocidade de 82 km/h, no limiar de levantar voo, resolveu abortar a manobra. O avião incendiou-se logo de seguida em plena pista.

A culpa, diz o relatório da Defesa norte-americana, é da empresa privada que foi contratada para fazer a manutenção do aparelho. “Uma rosca, conectada a um tubo metálico de oxigénio, estando mal apertada, causou uma fuga e criou uma atmosfera rica [em oxigénio] e extremamente inflamável a bordo, o que deu origem ao incêndio”, conclui o relatório de 3 de agosto. Um incêndio que não ficou barato no prejuízo: 55,5 milhões de euros.