Por estes dias começa o corte das uvas na mais antiga região demarcada do mundo, naquela que é grande festa do Douro. E foi mais esta vindima que criou a oportunidade que Patrícia Almeida, de Lousada, e Daniela Guedes, de Vila Real, estão a aproveitar. Ambas acabaram a licenciatura em turismo e encontraram na Quinta da Avessada, uma empresa especializada em animação turística que se situa no concelho de Alijó, a primeira oportunidade de trabalho.

“Fomos contratadas por dois meses e meio. É um trabalho sazonal, mas é muito bom”, afirmou Patrícia Almeida à agência Lusa. Daniela Guedes acredita que esta experiência de trabalho vai ser “enriquecedora a nível pessoal e de currículo”.

As duas jovens vão servir de guias nesta unidade de enoturismo, com uma enoteca que conta a história do vinho e proporciona ainda experiência de vindima aos visitantes. A quinta está de portas abertas o ano inteiro e, segundo o proprietário Luís Barros, recebe uma média semanal de 1.200 pessoas.

“Em setembro e outubro, época de vindimas, vamos para os 2.100 visitantes por semana, aos quais precisamos de dar o acompanhamento técnico necessário”, frisou.

Luís Barros referiu que, neste período, precisa de reforçar a equipa de 22 funcionários com mais seis pessoas, duas para o enoturismo e quatro para a parte de restauração e bar. “Quem me dera que as vindimas se prolongassem por mais tempo. Infelizmente não é assim”, lamentou.

Para o contacto com os turistas, o responsável disse que tem de contratar pessoas com “alguma qualificação”, já que, pelo menos, o “saber falar inglês é obrigatório”. A esta quinta chegam muitos turistas americanos, ingleses e alemães.

A Quinta do Vallado, no Peso da Régua, começa mais cedo a preparar o reforço de pessoal. O enoturismo nesta unidade junta o alojamento, as visitas à adega e vinha e ainda um restaurante e todos os funcionários têm estar preparados para trabalhar nas três áreas. Com uma equipa fixa de 13 pessoas na Régua e mais três no Douro Superior, que acolhe uma extensão do hotel vínico, a empresa reforça a mão-de-obra a partir de maio, altura em que começam a chegar mais turistas à região.

Marta Teixeira é licenciada em animação turística e veio do Porto para trabalhar nesta unidade de enoturismo. “Faço visitas guiadas, mas também faço trabalho de receção e ajudo no serviço das mesas. Está a ser muito bom e estou a gostar muito do que estou a fazer”, salientou a jovem. O contrato dura até dezembro. E depois? “Vamos ver o que acontece. É procurar de novo e estar aberta a novas experiências”, salientou.

A vindima é o culminar de um ano inteiro de trabalho na vinha. Neste período, milhares de pessoas concentram-se no Douro para cortar as uvas, mas não se sabe ao certo quantas são.

Carina Lucas vive em Santo Xisto, Régua. Está desempregada e anseia pelo começo da vindima, aquela que diz ser a única oportunidade de trabalho que o Douro lhe dá ao longo do ano: “Não temos alternativas nenhumas e o dinheiro que vou ganhar serve para ajudar a pagar algumas despesas”. Também Isabel Sampaio, doméstica, vai todos os anos cortar uvas para ganhar um “dinheiro extra” para, principalmente, a alimentação.

Francisco Ferreira, da Quinta do Vallado, afirmou à Lusa que, nesta altura, “há muitas pessoas a pedirem trabalho”.

“Hoje em dia acontece uma coisa curiosa. Já há pessoas com trabalho fixo que tiram férias para ganharam mais algum dinheiro nas vindimas”, referiu.

A propriedade possui uma equipa fixa de trabalhadores que, na vindima, reforça com mão-de-obra das aldeias vizinhas mas recorre também aos empreiteiros agrícolas.