Uma equipa de investigadores, que junta instituições do Brasil e Canadá, encontraram um inesperado fóssil de um parente das iguanas. A descoberta do lagarto Gueragama sulamericana, publicada na revista científica Nature Communications, parece mostrar que algumas espécies de lagartos da América do Sul estariam mais relacionados com as de África e Ásia do que com as do próprio continente.

“Como com muitas outras descobertas científicas, isto levanta um número de questões que não tínhamos considerado à partida”, disse Tiago Simões, primeiro autor do estudo e aluno de doutoramento no Departamento de Ciências Biológicas da Universidade de Alberta (Canadá), citado pelo Huffington Post.

As iguanas são um dos grupos mais diversos de lagartos ainda vivos – cerca de 1.700 epécies, segundo os autores -, dividindo-se em dois grupos principais, consoante os dentes estão fundidos no topo das mandíbulas (acrodontes) ou não (não-acrodontes). As iguanas acrodontes aparecem no Velho Mundo (Eurásia e África), enquanto as não-acrodontes no Novo Mundo (América). Bem, pelo menos assim se pensava até agora.

Mandíbula fóssil do lagarto acrodonte Gueragama sulamericana descoberto no Brasil - Simões et al. (2015) Nature Communications

Mandíbula fóssil do lagarto acrodonte Gueragama sulamericana descoberto no Brasil – Simões et al. (2015) Nature Communications

O fóssil com 80 milhões de anos, descoberto no Cruzeiro do Oeste, um município brasileiro do estado do Paraná, mostra que afinal ambos os grupos chegaram à América do Sul antes do final da separação do supercontinente Pangea, referem os autores. Depois, os não-acrodontes terão “ganho a batalha” e extinguido os acrodontes no Novo Mundo.

“É um elo perdido no sentido da paleobiogeografia e possivelmente das origens deste grupo”, disse Michael Caldwell, co-autor do estudo e professor de ciências biológicas na Universidade de Alberta, citado pelo Huffington Post. “O fóssil Gueragama sulamericana indica que o grupo é antigo, e que provavelmente teve origem no sul da Pangea.”