Os dois irmãos que durante 20 dias percorreram 2.300 quilómetros entre as torres Big Ben, Londres, e dos Clérigos, Porto, chegaram este sábado cerca das 11h, tendo conseguido nesta viagem solidária angariar 15 mil euros a favor da Operação Nariz Vermelho.

Num ambiente de festa, com música e muitos amigos e portuenses à sua espera, Rodrigo e Afonso Liberal chegaram com a sensação de “missão cumprida” não só a nível pessoal, mas também por poderem contribuir para uma causa “tão importante” como é a Operação Nariz Vermelho, cuja missão principal é fazer sorrir as crianças hospitalizadas.

“Por muito que tentemos encontrar as palavras corretas é extremamente difícil conseguirmos expressar o que sentimos neste momento, ainda mais porque todos os dias foram muito intensos. Acho que vamos precisar de uma semana para conseguir recuperar memórias e repensar o que fizemos, o impacto foi fantástico”, contou Afonso Liberal.

Era suposto ser uma iniciativa a dois, mas “tivemos a felicidade de termos o apoio da Irmandade dos Clérigos, que como podemos comprovar foi algo fantástico” ao doar as receitas de bilheteira dos últimos três dias para ajudar as crianças internadas, referiu.

“Sentimos a cereja no topo do bolo, podermos ajudar causas e ter esta receção fantástica. Por muito que tentemos imaginar na viagem que vamos ter os nossos amigos a apoiar-nos na chegada, acho que não há palavras para descrever o que sentimos neste momento. Foi um objetivo cumprido”, sublinhou. Os dois irmãos, que fizeram uma média diária de 120/130 quilómetros, disseram que a principal dificuldade foi “o tempo, com muita chuva e muito vento”.

“Tivemos alguns problemas que nos obrigaram a alterar o percurso, roubando-nos alguns dias de descanso, mas acho que tive sorte por ter um companheiro fantástico”, afirmou Rodrigo, sem conseguir conter as lágrimas de emoção.

Afonso acrescentou: “Sabíamos que tínhamos de estar aqui neste dia, agora vamos comer uma francesinha, que já está reservada, vamos estar com a família, e segunda-feira começamos a trabalhar, porque estas foram as nossas férias”.

A Irmandade dos Clérigos foi a principal patrocinadora da viagem solidária dos irmãos portuenses, que saíram de Londres dia 08 de agosto e passaram por quatro países — Inglaterra, França, Espanha e Portugal. Nos últimos quilómetros desta longa viagem contaram com a companhia de um “pelotão” de amigos e praticantes de ciclismo e de triatlo, com encontro marcado no Farol de Leça da Palmeira, Matosinhos.

Os dois irmãos, Rodrigo, de 35 anos, a viver em Londres, e Afonso, de 30 anos, a residir no Porto, comprometeram-se a fazer esta viagem com o objetivo de passarem mais tempo juntos e de angariarem fundos para duas instituições: Operação Nariz Vermelho (Portugal) e Theodora Children’s Charity (Inglaterra). A verba a entregar à Theodora Children’s Charity ainda não foi contabilizada, uma vez que o prazo para recolher os donativos através de uma página na Internet ainda não terminou.

O presidente da Irmandade dos Clérigos, padre Américo Aguiar, encontrou-se quarta-feira à noite, a meio do percurso, na Catedral de Santiago de Compostela, Espanha, com os dois jovens portuenses para lhes transmitir apoio e motivação.

A iniciativa “Cycling Between Towers” (Pedalar entre Torres), protagonizada pelos irmãos, tem, além da componente solidária, o objetivo de simbolizar a aproximação da Torre dos Clérigos a algumas outras torres emblemáticas da Europa como, por exemplo, Big Ben (Londres), Eiffel (Paris), Pisa (Pisa) ou La Giralda (Sevilha).

Esta iniciativa “marca o início de um desejo nosso de internacionalização da marca Clérigos Porto. Gostaríamos e estamos a pensar criar um passaporte em que o turista seja convidado a carimbar a sua presença nas torres das cidades por este mundo fora. São muitas e muitas cidades cujo ícone principal é uma torre, sejam as torres medievais, sejam as modernas, como a torre da televisão de Sidney”, disse o presidente da Irmandade dos Clérigos.

A Operação Nariz Vermelho é a terceira instituição ajudada pelos Clérigos depois de, em abril, ter sido beneficiado o Instituto Português de Oncologia (IPO) e, em julho, a Liga Portuguesa dos Bombeiros.