Primeira Liga NOS

Académica foi presa fácil para um leão que foi a Coimbra sarar feridas

O jogo teve três penaltis - e mais um que não foi, mas deveria ter sido. O Sporting controlou a Académica, cujo único remate foi o da marca dos 11 metros, e venceu por 3-1. Jesus foi expulso.

"M" de Mané. O extremo do Sporting estreou-se a titular e também a marcar esta temporada. Fez o 1-0 em Coimbra

Fábio Poço/ Global Imagens

A noite de Coimbra era noite de sarar feridas. Num e noutro lado. O Sporting não vence há dois encontros seguidos. Os leões empataram (1-1) no último jogo da Liga, em casa, contra o Paços de Ferreira, mas pior – para o ânimo e para os cofres de Alvalade —  também perderam na Rússia, não vão à Liga dos Campeões e “deixaram” 12 milhões de euros em Moscovo. A Académica não vive dias melhores, diga-se. No campeonato, conta por derrotas os dois jogos realizados, contra o Paços de Ferreira e o Vitória de Setúbal.

Sporting: Rui Patrício; Ricardo Esgaio, Paulo Oliveira, Naldo e Jefferson; Adrien Silva, João Mário, Carrillo e Carlos Mané; Slimani e Teó Gutiérrez.
Académica: Lee; Nii Plange, Ricardo Nascimento, João Real e Emídio Rafael; Fernando Alexandre, Obiora e Rui Pedro; Bouadla, Ivanildo e Rabiola.

O Sporting entrou com vontade de resolver logo o assunto. E resolveu. Seis minutos contados no cronómetro do árbitro Bruno Esteves, e logo Carlos Mané — que “sentou” Bryan Ruiz no banco —  inaugurou o resultado. Adrien Silva, novamente na posição “6”, mas sem as preocupações defensivas do jogo de Moscovo, adiantou-se no meio-campo, viu Mané a desmarcar-se da esquerda para o centro e passou-lhe a bola para as costas dos centrais da Académica. Com o extremo do Sporting veio quem o marcava na lateral dos estudantes, Nii Plange — que até já foi jogador do Sporting “B” e colega de balneário de Mané —, que não teve corrida para a velocidade do português. Carlos Mané rematou cruzado, Lee, o guarda-redes da Académica, fez-se à relva, esticou-se todo, mas o seu braço direito não foi comprido o suficiente para desviar o remate. 1-0 para o Sporting.

A Académica queria jogar num 4x3x3 ofensivo, com Rui Pedro, bom de pés, a ser o “10”, Ivanildo e Bouadla abertos nas alas do ataque e Rabiola na frente, sozinho, à espera de uma bola que lhe chegasse para desviá-la para golo. A Académica queria, mas o Sporting obrigou José Viterbo a ter que fazer um novo esquisso do desenho tático dos estudantes. É que a manta era curta, e se a Académica se aventurasse muito na frente, com a velocidade de Jefferson à esquerda — que é quase um extremo quando não tem um avançado que o incomode a defender –, e sobretudo Carrillo na direita, ia destapar a defesa e pôr-se em problemas. Viterbo lá viu que o melhor era que Ivanildo pressionasse sozinho, que Rabiola fechasse mais ao centro, que Rui Pedro derivasse para uma lateral, que Bouadla se fixasse na outra e que Fernando Alexandre e Obiora fossem os médios mais recuados. Viterbo não pedia a Alexandre e Obiora que construíssem jogo, mas que destruíssem o que o Sporting tentava construir — de preferência bem próximos dos centrais dos estudantes.

Ricardo Esgaio substituiu João Pereira no onze, ele que foi expulso no último jogo da Liga, ao cometer um penalti sobre Cícero do Paços de Ferreira. E o miúdo entrou com vontade de agarrar o lugar no seu regresso a Coimbra, onde jogou na última temporada por empréstimo do Sporting. Aos 15′, Esgaio galga metros sobre a direita, vê Carrillo a ganhar a frente a Emídio Rafael, entrega-lhe a bola, o peruano cruza, não para a confusão de corpos e de cabeças na área, mas para fora da área. Quem lá vinha, a correr em direção à bola, era João Mário. Até dava a ideia de que ia encher o pé, mas não, o remate saiu fraco e frouxo, para defesa de Lee com os pés.

A Académia não fez um só remate à baliza de Rui Patrício na primeira parte — nem na segunda, mas a seu tempo lá chegaremos. Nem se lhe abeirava muito. O Sporting controlava o jogo e a bola mantinha-se perto da grande área academista. E quanto tinha ocasião de rematar, o leão rematava. Aos 24′ fez o 2-0. E que golo que foi. Carrillo vem de novo em sprint pela direita, Emídio Rafael voltou a não ter pernas para o peruano, este centrou para dentro, onde Slimani vinha a desmarcar-se, mas a bola ressaltou em João Real. Sorte ou não, a verdade é que a bola foi mesmo ter com o argelino, que, à saída de Lee — o brasileiro de apelido asiático saltou que nem um ninja — lhe fez uma “chapelada”.

Os estudantes, sem saber ler nem escrever, sem um só remate que se lhes visse, fizeram-se doutores do golo, e logo na única vez que pisaram a relva da área de Patrício. Leandro Silva não só a pisou, como a foi conhecer de perto e caiu nela. Penalti, disse o árbitro. A jogada teve início em Rabiola, o ponta-de-lança, longe da área, descaído sobre a esquerda, viu Leandro a correr lado a lado com Adrien, tocou a bola para área, Adrien chegou primeiro que Leandro, cortou a bola, mas com o corte, no seguimento do lance, atirou para o chão o médio emprestado pelo Futebol Clube do Porto. O Sporting contestou a decisão, mas a verdade é que Rabiola, na conversão, fez o 2-1 aos 33′. Patrício ainda acertou no lado, mas o remate, forte e colocado, não lhe deu hipótese de defesa. ´

Esperava-se, talvez, que a Académica crescesse, que o Sporting se encolhesse, desconcentrado, mas não. E os leões responderam ao golo logo a seguir. Esgaio e Carrillo entendiam-se às mil maravilhas, o português voltou a desmarcar o peruano em velocidade, Carrillo cruzou para a área, Fernando Alexandre cortou a custo, para trás, e Esgaio, que vinha embalado, rematou logo dali, de longe, com o pé canhoto, que nem é o seu melhor. Lee defendeu como pôde, para o lado, Teó ainda fez a recarga, mas à malha lateral da baliza.

O Sporting insistia, a Académica resistia. Em cima do intervalo, aos 45′, João Real derrubou Slimani na área. Foi Esgaio quem cruzou para o argelino, entre Ricardo Nascimento e Real, os centrais da Académica. É o segundo quem se faz à disputa da bola com Slimani, desliza no relvado, toca na bola e toca no ponta-de-lança do Sporting (ao contrário de Adrien, no lance anterior, João Real foi mais imprudente e impetuoso), num lance que fez Jesus irritar-se no banco. O treinador foi “aquecer as orelhas” ao auxiliar, este avisou o árbitro, e Bruno Esteves expulsou-o. Intervalo, sem penalti e sem Jesus na segunda parte.

Mas se Jesus não vai ao banco, Bruno de Carvalho (que não foi expulso, diga-se) também não, e os dois viram o jogo desde a bancada, logo atrás do banco – uma pista de tartan separava-os de Raúl José, o adjunto. Com ou sem Jesus, o Sporting, tal como na primeira parte, tomou conta do jogo e da bola. João Mário, omnipresente, via-se em todo o lado, à direita, ao centro e à esquerda. E foi, nem de propósito, desde a esquerda que veio, aos 60′, a calcorrear metros em direção à área e rematou de canhota em direção à baliza. Saiu cruzado e forte o remate de João Mário, mas ao lado. Lee não ganhou para o susto.

Este foi o jogo dos penaltis. Os que não existiram e se assinalaram. Os que, existindo, não se assinalaram. E os que, existindo e assinalados, foram falhados na conversão. Aos 68′, João Mário deriva com um passe preciso a bola de um lado ao outro do relvado, Carrillo recebe-a, deixa em Mané na entrada da área, o português remata em direção à baliza, mas o remate esbarra no braço de Fernando Alexandre. Na conversão, Lee foi para a esquerda, Adrien atirou para a direita, tão à direita que a bola tocou no poste e saiu.

O que é que faltava mais em termos de penaltis? Os que, existindo e sendo assinalados pelo árbitro, foram convertidos, pois claro. E foi novamente Fernando Alexandre — que viu cartão vermelho e foi expulso depois deste lance — quem voltou a usar as mãos para fazer falta. Não foi a bola que lá lhe tocou, mas foi ele quem, com os braços, segurou a camisola de Slimani pelas costas, quando este se esgueirava para o interior da área. Jesus estava longe, mas ouviu-se-lhe o berro: quem marca é o Aquilani! – que tinha entrado pouco antes. E marcou. 3-1. Bola para um lado, guarda-redes para o outro, com toda a serenidade.

O jogo terminaria logo depois. O Sporting fez por vencer, criou oportunidades, a Académica não, e o resultado é justo. José Viterbo, que na ultima temporada salvou a Académica da descida em cima do gongo, tem plantel para fazer mais e melhor. Os estudantes têm três derrotas em três jornadas, mas pior, não defendem bem nem atacam melhor. Ou melhor: não atacam de todo. O Sporting, por sua vez, foi competente, dominou, soube controlar o jogo e os tempos do jogo, e fez por sarar as feridas de Moscovo. O leão é líder juntamente com o Futebol Clube do Porto e o surpreendente Arouca, todos com sete pontos. Jorge Jesus, expulso esta noite, não deverá estar no banco do Sporting no jogo contra o Rio Ave, em Vila do Conde, a 13 de setembro.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Crónica

Amorfo da mãe /premium

José Diogo Quintela

O Governo deve também permitir que, no dia seguinte ao trauma que é abandonar a criança no cárcere escolar, o progenitor vá trabalhar acompanhado pelo seu próprio progenitor. Caso precise de colinho.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)