O Presidente da República, Cavaco Silva, distinguiu com a Ordem da Liberdade a escritora e jornalista Manuela de Azevedo, um dia depois de a autora completar 104 anos e lançar mais um livro de contos.

“Homenageamos aqui a Manuela de Azevedo jornalista, escritora, cidadã e uma jovem centenária. É para mim uma satisfação muito particular impor as insígnias de comendador da Ordem da Liberdade. E esta é a Ordem que se justifica plenamente que seja atribuída a esta grande mulher que é Manuela de Azevedo”, declarou Aníbal Cavaco Silva.

Numa cerimónia no Palácio de Belém, em Lisboa, o chefe de Estado destacou a carreira de Manuela de Azevedo, enquanto escritora e poeta, mas também como jornalista, passando pelo jornal “A República” e diversos outros periódicos, em que desenvolveu vários géneros jornalísticos.

“Foi a percursora da chegada das mulheres ao jornalismo. Hoje, nas redações, as mulheres estão em maioria, mas tudo começou com Manuela de Azevedo. Foi a primeira mulher a receber a carteira profissional de jornalista”, sublinhou Cavaco Silva.

O Presidente frisou também que Manuela de Azevedo “enfrentou a censura, nos tempos da ditadura, com grande coragem, defendendo sempre os valores da liberdade e da democracia”.

“Para além de jornalista, para além da escritora, temos a Manuela de Azevedo cidadã. Desde a década de 1950 que tomou como causa sua a preservação de Luís Vaz de Camões na vida de Constância”, afirmou igualmente Cavaco Silva, recordando que, nos seus tempos de primeiro-ministro, a autora o guiou numa visita pela casa de Camões.

Manuela Azevedo fundou e presidiu à Associação da Casa Memória de Camões, em Constância.

Após receber a condecoração de Cavaco Silva, Manuela de Azevedo referiu que poucas vezes um Presidente da República terá tido oportunidade de distinguir “uma simples cidadã”, como ela própria, “após anos de contactos no plano cultural”, lembrando Cavaco Silva como um “atento visitador de Constância”.

“Apesar de tudo, apesar de a vida inteira me ter dedicado à cultura e à solidariedade, para mim, é uma honra inesperada. Muito obrigada. Que a sua magistratura termine em apoteose, como merece”, desejou Manuela Azevedo a Cavaco Silva.