O líder socialista voltou a pronunciar-se sobre a crise humanitária que parte sobretudo da Síria e do Iraque e agita a Europa. Em declarações aos jornalistas, em Pombal, António Costa fez questão de sublinhar que a “política de apoio aos refugiados” não pode ser entendida como um “política de caridade”. “[Acolher os refugiados] não é só abrirmos as nossas fronteiras e colocarmos as pessoas em campos de refugiados, não é só encontrar um prato [de comida]”, defendeu o socialista, lembrando, mais uma vez, a necessidade de oferecer oportunidade de trabalho a essas pessoas.

Com a controvérsia causada pelas suas declarações de quinta-feira ainda bem quente, António Costa quis deixar bem claro que, numa altura em que “há pouco emprego qualificado” no país, “nós temos de ter inteligência de procurar atividades onde, efetivamente, as pessoas possam ter um futuro”. E, continuou o secretário-geral do PS, “infelizmente o que não faltam neste país são zonas abandonadas”.

Coisa muito diferente é dizer que os refugiados vão ser obrigados “a trabalho forçado” ou a “fazer um trabalho para o qual não têm vocação”, explicou António Costa, respondendo indiretamente às críticas que lhe foram apontadas na quinta-feira depois de ter dito que a integração de refugiados em zonas desertificadas e no setor agrícola seria uma “grande oportunidade” para os refugiados e para o país.

Ainda a propósito, o líder socialista recordou a sua visita à Jordânia, quanto viu, em primeira mão, “o que é um campo de refugiados com 300 mil [pessoas]”. Costa quis assim reforçar a ideia de que a Europa “tem de estar aberta para todos”, mesmo para os menos qualificados, e que não se pode limitar a colocar essas pessoas em campos de refugiados.

Na quinta-feira, na intervenção que fez durante o debate sobre políticas sociais organizado pelo PS, António Costa já tinha afirmado que a ideia de que vai ser possível “travar os refugiados é uma ideia errada”. De acordo com a Rádio Renascença, o candidato a primeiro-ministro ainda acrescentou: “Mais, é uma ideia indigna da Europa porque a Europa tem de ser uma terra de acolhimento“.

Em Alverca, o líder socialista deixou bem claro que a “Europa pode construir os muros que quiser, com arame farpado, sem arame farpado, pode pôr as guardas costeiras que quiser”, mas “enquanto houver uma dinâmica demográfica tão díspar entre a Europa e a África, enquanto houver a disparidade de rendimento que existe entre a Europa e a África, enquanto a Europa nada conseguir fazer para estabilizar a falta de democracia, liberdade e paz em toda esta zona envolvente não há nada que venha a deter estes refugiados“.

Nesse sentido, Costa insistiu que este ser um momento em que “Portugal podia ser pró-activo, demonstrando ter capacidade também de auxiliar outros países que necessitam de apoio e simultaneamente resolver um problema que nós temos”.