A Confederação dos Agricultores de Portugal vai participar, na segunda-feira, na manifestação de agricultores europeus em Bruxelas, para exigir medidas perante a quebra brutal dos preços provocada pelo “embargo político” à Rússia, disse à Lusa o secretário-geral da CAP.

Luís Mira participou numa reunião do Conselho Consultivo Regional do Ribatejo, da CAP, em Abrantes, e disse à Lusa que uma delegação de agricultores portugueses se vai juntar à manifestação que se vai realizar junto ao local onde decorrerá a reunião dos ministros da Agricultura da União Europeia e na qual são esperados mais de 4.000 agricultores de toda a Europa.

“Em 07 de agosto de 2014 foi decidido um embargo político à Rússia devido ao conflito com a Ucrânia e os agricultores europeus é que estão a pagar as consequências dessa decisão”, disse Luís Mira, referindo o impacto da quebra nas exportações para o mercado russo, que chega a atingir os 60% em alguns produtos.

“Só nos frutos e hortícolas são mais de 1.200 milhões de euros que se perdem com o embargo. No queijo são mais de 200.000 toneladas que não são exportadas. São volumes muito grandes, que estão a provocar quebras nos preços e perdas muito grandes, que têm levado inclusivamente algumas explorações a encerrar”, afirmou.

Portugal não escapou a esse impacto, disse, dando como exemplo o caso da pêra rocha.

A Copa Cogeca, entidade que representa os agricultores e as cooperativas agrícolas da Europa e que promove a manifestação, considera que as novas medidas de apoio aos produtores que a Comissão Europeia anunciou no fim de julho não são suficientes para compensar os agricultores europeus.

Segundo esta entidade, o embargo às importações de produtos alimentares europeus decretado pela Rússia reduziu em cerca de metade — 5,5 mil milhões de euros — as exportações agroalimentares da União Europeia.

Na reunião, na qual esteve igualmente presente o presidente da CAP, João Machado, foram abordadas, com a Associação de Agricultores de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação, questões que preocupam o setor, disse Luís Mira.

Uma das situações que tem sido abordada nos encontros que a confederação está a realizar em todo o país foi a das medidas agroambientais, havendo receios de que o elevado número de candidaturas possa deixar alguns agricultores de fora.

Luís Mira disse à Lusa que a questão tem estado a ser negociada com o Governo, acreditando que será possível não só reprogramar como obter uma compensação maior por parte do Estado (que tem vindo a diminuir as ajudas) e uma gestão “muito apertada”.

A reunião de Abrantes seguiu-se às realizadas em Trás-os-Montes e Celorico da Beira, estando agendadas para a próxima semana reuniões no resto do país, no âmbito da auscultação que a CAP faz aos agricultores duas vezes por ano e que quis agora antecipar para não coincidir com período eleitoral, afirmou.