O PS considerou hoje que o presidente do CDS, Paulo Portas, se apresenta em “grande forma”, com “imaginação prodigiosa”, ficcionando um “número de variedades” sobre o desemprego em Portugal sem qualquer correspondência com a realidade.

Esta posição foi assumida por João Galamba, membro do Secretariado Nacional do PS, em reação à entrevista concedida à TVI pelo presidente do CDS, Paulo Portas, na quinta-feira à noite.

Falando aos jornalistas a meio de uma ação de campanha do líder socialista, António Costa, na baixa de Coimbra, João Galamba começou por usar a ironia para referir que o vice-primeiro-ministro se apresentou na TVI “em grande forma, sobretudo mostrando uma imaginação prodigiosa”.

“Paulo Portas foi capaz de inventar uma realidade sobre o desemprego e a população ativa que até é interessante, mas peca por ter o inconveniente de não ser verdadeira”, declarou o dirigente socialista.

Segundo João Galamba, mesmo descontando os fenómenos da emigração e do aumento de desencorajados, Portugal regista menos 30 mil desempregados do que em 2011 e não menos 300 mil, tal como terá sustentado o líder do CDS-PP na TVI.

“Paulo Portas disse que a população ativa só caiu no período da legislatura em 80 mil pessoas, mas, na realidade, caiu 250 mil. Estes números que Paulo Portas decidiu mobilizar para o seu número de variedades não são pura e simplesmente verdadeiros, sendo antes pura ficção”, contrapôs uma vez mais o membro do Secretariado Nacional do PS.

João Galamba afirmou ainda que o presidente do CDS “inventou” que o PS tinha apoiado em 1998 a introdução do plafonamento e, em consequência, a privatização parcial do sistema público de contribuições para a Segurança Social.

“Isso não é verdade. O PS, precisamente por ter estudado a fundo em 1998 as implicações dessa proposta de privatização da Segurança Social, é que a rejeitou em 2001, rejeitou-a também em 2006 e volta agora a rejeitar essa proposta desastrosa da coligação PSD/CDS”, acrescentou o “número três” da lista de candidatos a deputados do PS pelo círculo de Coimbra.

Depois de ter chegado de comboio à estação de Coimbra B, vindo de Pombal, António Costa foi recebido na baixa da cidade ao início da tarde por cerca de duas centenas de militantes e simpatizantes, entre os quais estava o antigo ministro e fundador deste partido António Arnaut e o presidente da Câmara e da Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP), Manuel Machado.

Numa iniciativa em que esteve presente o ex-dirigente socialista Álvaro Beleza (que liderou pelos seguristas o processo de pacificação interna neste partido após as eleições primárias de setembro passado), António Costa percorreu em ritmo de passeio as ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz.

Costa esteve sempre acompanhado pelo cabeça de lista socialista pelo círculo de Coimbra, a professora universitária Helena Freitas, e pelos deputados socialistas Elza Pais e João Galamba.

Ao fim de uma hora de ação de rua, quase sempre debaixo de um sol intenso, o secretário-geral do PS partiu num comboio regional rumo a Aveiro, a última etapa da sua viagem que terá como destino o Porto.