O Museu do Douro (MD) promove rogas na região demarcada, a partir do dia 17, que têm como protagonistas estudantes que vão conhecer e participar nas vindimas durienses, anunciou hoje aquela instituição.

Antigamente, as rogas eram os grupos de homens e mulheres que desciam das montanhas para o corte das uvas e a pisa nos lagares na região duriense.

As rogas organizadas pelo serviço educativo do MD, com sede no Peso da Régua, distrito de Vila Real, têm como protagonistas crianças e jovens, provenientes de fora da região.

Segundo anunciou hoje a instituição, arrancam no dia 17, uma data que coincide com o período de vindima da Quinta Senhora da Graça, em Santa Marta de Penaguião, parceira do MD neste projeto.

O programa é dirigido a crianças e jovens dos 1.º, 2.º, 3.º ciclos de escolaridade e ensino secundário. Cada roga (vindima) poderá ter até 25 participantes.

O museu promove esta iniciativa desde 2005 com o objetivo de dar a conhecer todo o trabalho que se faz à volta da vindima, a maior festa do Douro e que culmina um ano inteiro de trabalho na vinha.

Os participantes são quase todos de fora da região demarcada e, ao mesmo tempo que se pretende mostrar o que é a vindima, os cheiros da terra e das uvas e o sabor dos bagos acabados de colher, o objetivo é também o de que os jovens partilhem as experiências dos vindimadores.

Neste dia de vindimas, os estudantes vão cortar uvas, têm direito ao pequeno-almoço tradicional, ou seja, o bacalhau com as batatas, e ao almoço de vindima, arroz ou massa com feijão cozinhado em pote de ferro e fêveras assadas.

Se a quinta tiver, na altura, uvas no lagar, os estudantes poderão ainda participar na pisa a pé.

As rogas do Douro ficaram imortalizadas na obra de Miguel Torga, o mais conhecido dos escritores transmontanos.

No livro “Vindima”, Torga contava que, em setembro, “os homens deixam as eiras da Terra Fria e descem, em rogas, a escadaria do lagar de xisto. Cantam, dançam e trabalham. Depois sobem. E daí a pouco há sol engarrafado a embebedar os quatro cantos do mundo”.