O chanceler austríaco Werner Faymann anunciou no perfil que detém no Facebook que a Áustria e a Alemanha concordaram em receber os refugiados que vêem da fronteira com a Hungria. Esta madrugada, chegaram à Áustria perto de 4.000, anunciaram as autoridades.

“Devido à situação de emergência que se vive na fronteira com a Hungria, a Áustria e a Alemanha concordaram que os refugiados deveriam continuar o seu trajeto para estes países”, escreveu Werner Faymann.

Conta o The Wall Street Journal que um porta-voz da polícia austríaca avançou que estão à espera que este número cresça nas próximas horas. A polícia alemã disse à Reuters que espera que o número chegue aos 10 mil refugiados, só este sábado.

“Estimamos que tenham chegado à fronteira cerca de 4.000 pessoas – e não achamos que seja o fim. Este número pode duplicar ou mais” disse à Reuters Helmut Marban, porta-voz da polícia austríaca, citado na CNBC. As operações de voluntariado já começaram.

Os migrantes chegaram a pé, um dia depois de as autoridades húngaras terem decidido levá-los de autocarro de Budapeste até à fronteira.

“Eu estou na fronteira com a Hungria e vejo. O fluxo (de pessoas) continua”, disse Hans Peter Doskozil, chefe da polícia de Burgenland (leste da Hungria) à agência austríaca, acrescentando que estavam à espera de entre 17 e 18 autocarros de dois andares para levar os refugiados para Viena e talvez para a Alemanha.

Alguns dos autocarros providenciados pelo governo húngaro apanharam cerca de 1.200 migrantes que estavam a caminhar a pé em direção à fronteira.

“Isto tem de servir para abrir os olhos”

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia estão reunidos este sábado para discutir a crise migratória e de refugiados, que tem dividido os Estados-membros. O chefe da diplomacia austríaca, Sebastian Kurz, já avançou que o sofrimento dos milhares de migrantes bloqueados na Hungria era uma “chamada de atenção” para a Europa e que a situação “não podia continuar assim”.

“Isto tem de servir para abrir os olhos em relação à situação caótica em que a Europa está”, disse Kurz, à chegada à reunião.

Os refugiados ficaram bloqueados durante vários dias na estação de comboios de Budapeste, porque o governo húngaro insistia que não podiam seguir viagem por não terem a documentação necessária.

O Ministério do Interior austríaco estima que o número total de migrantes da atual vaga possa ascender a 10.000. “Se há alguém que pensa que pode ficar de fora deste problema está enganado”, adiantou Kurz.

As 28 nações da UE estão bastante divididas sobre o que fazer em relação aos fluxos de migrantes. A Alemanha liderou os esforços para a abertura das fronteiras, dizendo que poderia aceitar até 800.000 refugiados este ano, e apoiando planos para quotas obrigatórias nos Estados-membros.

A Hungria, juntamente com muitos países do leste que se tornaram novos membros do bloco europeu, opõem-se ao sistema de quotas e insistem que as regras atuais devem ser aplicadas, com os requerentes de asilo a terem de fazer o pedido de asilo no primeiro país onde chegam e não o no país para onde querem ir.

A maior parte dos refugiados são sírios que chegam via Grécia, país que também já têm uma grande quantidade de migrantes.

Na sexta-feira, o Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, apelou à distribuição de pelo menos 200.000 refugiados (enquanto os planos de Bruxelas têm apontado para um número próximo dos 120.000), defendendo também que todos os Estados-membros devem ter a obrigação de participar neste programa.