Marcelo Rebelo de Sousa acredita que a acusação a José Sócrates está próxima. E isso sim, poderá ser determinante nas eleições. Marcelo analisa a escolha da medida de coação aplicada ao ex-primeiro-ministro e a razão dessa decisão – a diminuição de perigo de perturbação do inquérito –  que faz com que defenda: “Vai haver acusação. Senão não se dizia que os indícios estão bem fundamentados, não se corria o risco de dizer isso. E não deve faltar muito tempo. É a minha opinião.”

Acrescenta: “Quando se diz, nesta altura, que o que foi possível consolidar quanto à matéria de prova em relação aos indícios anteriores (…) estamos próximos de uma acusação.”

Depois de elogiar a entrevista de Jerónimo de Sousa e de António Costa, que classificou como a ” melhor prestação dos últimos tempos”, Marcelo Rebelo de Sousa passou à questão política. O simples facto de José Sócrates “estar mais liberto, nomeadamente nos contactos com a comunicação social, enche as noticias.” Mais importante: “José Sócrates é que vai escolher o dia em que faz o seu frente a frente com o país através da comunicação social.” Marcelo Rebelo de Sousa acredita que Sócrates falará antes das eleições e que será um deslocamento de interesse jornalístico em relação à campanha eleitoral.

Sobre o que o ex-líder do PS vai dizer, Rebelo de Sousa acredita: “Ele não vai mudar a sua lógica de defesa política. “Eu sou um preso político, eu fui uma vítima de uma ofensiva política`”. E agora com a nova diferença, manifestada na última carta que escreveu: “Eu sou uma vítima de uma estratégia que visa impedir uma vitória do PS nas legislativas.”

A estratégia de defesa de Sócrates, sublinha o professor, é “uma intervenção que mistura o processo com as legislativas. É muito difícil de dizer que isto não tem incidência nas legislativas quando é o próprio José Socrates que vai chamar para a atenção que isto tem a ver com as legislativas.”

Aos olhos do professor, tudo dependerá da data de acusação ou de arquivamento do inquérito: “É preciso saber se haverá acusação antes de 4 de outubro [lesgilsativas] e isso sim, terá um peso grande sobre as eleições: Ou porque é muito fundada [a acusação] ou porque é muito infundada. Tudo o que ele disser, por muito que António Costa finja que não existe, existe. E só incomoda o partido socialista, diz.

“O ruído introduzido por José Sócrates é um ruído que António Costa dispensaria nestas semanas finais”. E esta será mesmo a razão, defende Marcelo, para que o atual líder do PS não comente a domiciliária do ex-primeiro-ministro. Marcelo Rebelo de Sousa diz mesmo: “Está nas mãos de José Sócrates dificultar a vida ao PS”

O que dará mais jeito a Sócrates? Marcelo especula: “Se o PS ganhar o assunto Sócrates passa a ser apenas judicial. Se Passos Coelho ganhar ele continua a ser uma vítima política do poder que lá está.” De uma forma o de outra, o professor está “curioso”.