Em Portugal há o ex-primeiro-ministro, José Sócrates, no epicentro de uma investigação. No Brasil há o antigo Presidente Lula da Silva. Por cá, o ex-líder do PS tem em Carlos Santos Silva um dos melhores amigos, homem de quem também suspeita o Ministério Público (MP) na investigação da Operação Marquês. No outro lado do atlântico, o amigo de Lula da Silva é Carlos Bumlai. Ambos, cada um do seu lado, seriam responsáveis pelo património da família dos ex-governantes e estão sob investigação em processos mediáticos.

Quem lembra é Rodrigo Rangel, jornalista da revista  Veja, que escreve um texto sobre as ligações e as semelhanças entre os processos no Brasil e em Portugal. As ligações entre José Sócrates, Lula da Silva, José Dirceu, Armando Vara, Carlos Santos Silva e outras tantas figuras dos governos e dos mundos empresariais português e brasileiro continuam, sim, sob o olho da justiça.

Os negócios são tantos e o cruzamento de teias luso-brasileiras tão intrincado, que as suspeitas também já puseram a justiça brasileira a trabalhar em simultâneo com a portuguesa. Em julho, a Procuradoria-Geral da República confirmava ter recebido o pedido de ajuda das autoridades brasileiras e garantia o seu apoio à investigação em que também está envolvido o ex-presidente Lula da Silva.

E ao mesmo tempo que se multiplicam as notícias e as ligações entre Lula da Silva, o processo Lava Jato, a empresa Odebrecht e os processos em investigação em Portugal, o jornalista compara a parecença entre os crimes em investigação em que “políticos que agem em conluio com grandes empresas em troca de comissões”.

As investigações recaem sobre ex-governantes rodeados de gente poderosa, influente e com muito dinheiro: “Esses amigos ficaram ainda mais ricos, mais influentes e mais poderosos em seu governo e, em retribuição, o ajudaram [a Sócrates] a construir a própria fortuna”, lê-se na Veja.

Toca no Grupo Lena e avalia como era pequeno antes de Sócrates chegar ao governo. Diz que Sócrates defendeu os interesses do grupo fora de Portugal, como no Brasil e na Venezuela. Passando pelo Face Oculta, pelo Mensalão, ou pela Operação Marquês e o Lava-Jato, as semelhanças estão mesmo lá. Conheça algumas das comparações espelhadas na revista brasileira:

  • “No Brasil a investigação que revelou o maior escândalo de corrupção começou em um posto de gasolina. No processo português, a trama está ligada a uma casa de câmbio do centro de Lisboa que era usada para fazer remessas ilegais para contas secretas na Suíça.”
  • “O Mensalão eclodiu em 2005 – Lula era presidente e Sócrates primeiro-ministro. Nesta altura já se sabia da parceria entre petistas e os donos do BES e da PT.”
  • “Assim como muitos da Lava-Jato, os corruptos de lá tinham seus operadores – figura cuja missão é servir de anteparo para os beneficiários do esquema.”
  • “Tanto Sócrates como os políticos brasileiros investigados acusam a justiça de perseguição. Sócrates por razões políticas.”

Mas nem só de personagens parecidas e esquemas semelhantes utilizados nos dois países, vivem estas desconfianças. As redes também são exploradas:

  • “Empreiteiras envolvidas no Petrolão, aparecem ligadas a personagens do Partido Trabalhista [de Lula da Silva].”
  • “Bes e Portugal Telecom aparecem como suspeitos de financiar esquemas brasileiros como o Mensalão – facilitadas pela afinidade política”
  • “A proximidade entre o PS e o Partido Trabalhista [especialmente nos anos de governação de ambos].”
  • “Uma boa relação que abriu caminho para negócios e negociatas de empresas amigas do poder de um lado e de outro.”
  • “Até agora, descobriu-se o envolvimento de três empreiteiras brasileiras ligadas ao petrolão. O mesmo Grupo Lena (acusado de ser o maior contratante dos serviços de Sócrates) tem como parceira a Odebrecht [empreiteira brasileira] – também cliente das remessas ilegais feitas pela casa de câmbio em Lisboa.”
  • “A participação da PT na Oi. Uma acordo que dependia do aval de Sócrates, que se opunha. Pelo lado brasileiro, era Otávio Azevedo, então presidente da Andrade Gutierrez (uma das donas da Oi), preso por envolvimento no Lava-Jato.”
  • “Depois de ir ao Brasil [e de reunir com Lula ] Sócrates mudou de ideias. A PT saiu do negócio com um grande prejuízo.”
  • “A compra da cimenteira portuguesa pela brasileira Camargo Corrêa também contou com a ajuda dos políticos. A Camargo Corrêa, por sua vez, também está envolvida no Petrolão – José Dirceu foi o consultor do negócio.”
  • “O responsável responsável pela Camargo Corrêa em África [Armando Vara], também está em suspeitas.”

Recorde aqui as investigações em 5 gráficos.