A Nova Zelândia e a Austrália ofereceram-se hoje para acolher mais refugiados sírios em resposta à crise humanitária no Médio Oriente, apesar das diferenças no tipo de ajuda que estão dispostos a oferecer.

O primeiro-ministro neozelandês, John Key, vai hoje reunir-se com o seu gabinete para discutir um aumento, nos próximos três anos, da quota anual de acolhimento de refugiados, que atualmente é de 750 pessoas.

Numa entrevista à Radio New Zealand, John Key não precisou o número exato, que será na casa das “centenas” e afetará unicamente os refugiados sírios, mas prevê-se que seja semelhante ao oferecido aos deslocados do Kosovo em 1999.

Na Austrália, o primeiro-ministro, Tony Abbott, anunciou “uma abordagem equilibrada” na resposta, sobre a qual dará mais pormenores nos próximos dias, e assegurou que o seu país “vai responder com a força e generosidade” que o caracterizam.

“Sempre fomos um país que responde de forma responsável”, disse Abbott, cujo ministro da Imigração, Peter Dutton, viajou até Genebra para discutir a crise com o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados.

O Governo conservador de Abbott, que impõe uma rígida política contra a imigração ilegal, quer acolher mais refugiados sírios sem modificar o contingente anual do seu programa de vistos humanitários.

Josh Frydenberg, do departamento do Tesouro, sugeriu que o seu país podia oferecer apenas ajuda temporária aos refugiados sírios, sem lhes dar oportunidade de solicitar um visto permanente, segundo o diário Sydney Morning Herald.

Em 1999, a Austrália acolheu cerca de 4.000 kosovares em edifícios militares que não estavam a ser utilizados, dos quais 3.500 regressaram ao seu país — os restantes iniciaram uma longa batalha legal para puderem ficar no país.

A Austrália acolheu 13.750 refugiados no ano fiscal passado, dos quais 4.400 eram da Síria e do Iraque, prevendo-se que o número suba para 18.750 no ano fiscal de 2018-19.