Produtores de leite de vários Estados-membros, incluindo Portugal, manifestam-se hoje em Bruxelas por ajudas ao setor em dificuldades, no mesmo dia em que os ministros da Agricultura dos 28 se reúnem para debater a situação do mercado.

A análise dos mercados dos setores agrícolas, com destaque para o do leite e da carne de porco — nos quais a Comissão Europeia reconheceu já haver “dificuldades” — dominam a agenda da reunião dos ministros.

Portugal e pelo menos mais três Estados-membros defendem um aumento do preço de intervenção pública no mercado, atualmente fixados nos 0,21 cêntimos.

Bruxelas, por seu lado, não quer decisões que afetem a orientação para o mercado estipulada na política agrícola comum.

Os preços pagos ao produtor têm sofrido quebras no setor do leite, com uma conjuntura marcada pelo fim das quotas de produção, um regime que terminou a 31 de março — após 30 anos em vigor -, e pelo embargo da Rússia a produtos da UE.

No sábado, em Lamego, a ministra da Agricultura, Assunção Cristas, disse apenas esperar “bons resultados” para os produtores de leite portugueses.

Na véspera, na sexta-feira, durante uma visita à AgroSemana, na Póvoa de Varzim, a ministra disse acreditar que serão encontrados mecanismos alternativos ao fim das quotas leiteiras para proteger os produtores nacionais.

“Vamos pedir à Comissão Europeia medidas de suporte para este período difícil que os produtores estão a atravessar”, garantiu Assunção Cristas, afirmando que, independentemente do desfecho da reunião de hoje, serão tomadas mais medidas de apoio, nomeadamente na valorização e promoção do consumo de leite.