O Prémio António Champalimaud de Visão 2015, promovido pela Fundação Champalimaud, foi atribuído ao Projeto Kilimanjaro, que reúne três organizações que operam no continente africano, na região subsaariana. O prémio é o maior atribuído na área da visão, com um valor de um milhão de euros.

O Projeto Kilimanjaro é constituído por três organizações — o Kilimanjaro Centre for Community Ophthalology, a Seva Foundation e a Seva Canada –, que, através de um “modelo colaborativo pioneiro”, atuam no combate à pobreza, à cegueira e na promoção económica e social das populações, através de programas de microcrédito e de microfinanciamento.

Os programas de microcrédito têm como objetivo abrir “novas perspetivas” e dar “um novo sentido a atividades tradicionais, como o artesanato, pondo o resultado destas atividades ao serviço das populações e garantindo a estas comunidades esquecidas uma nova forma de vida e desenvolvimento sustentável”, refere um comunicado divulgado esta segunda-feira pela Fundação Champalimaud.

Apesar de atuarem em três áreas distintas, as organizações trabalham para o mesmo fim — combater a cegueira e a pobreza, “num dos cenários mais dramáticos de África, num território devastado pela pobreza extrema, pelos flagelos naturais, pela doença e pela cegueira”, salienta o mesmo comunicado.

Na cerimónia de entrega do prémio, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, considerou o Projeto Kilimanjaro um “exemplo da aplicação de estratégias integradas e do trabalho conjunto na adaptação de modelos de organização locais de sucesso crescente e de sustentabilidade a longo prazo”.

“Trata-se de garantir que um número cada vez maior de seres humanos possam dizer como no poema de Camões ‘vi claramente visto'”, acrescentou o Presidente da República.

Referindo que “90% da população mundial com problemas de cegueira vive nos países em via de desenvolvimento”, uma “dramática para milhões de pessoas em dezenas de países”, Cavaco Silva salientou a importância do prémio atribuído pela Fundação Champalimaud que, “à semelhança de edições anteriores vem apoiar iniciativas levadas a cabo junto dos que mais precisam — os seres humanos dos países menos desenvolvidos, aqueles a quem já chamaram os povos silenciosos do mundo“.

O Prémio António Champalimaud de Visão foi criado em 2006 e conta com o apoio do programa “O direito à Visão”, da Organização Mundial de Saúde (OMS). É o maior prémio atribuído na área da visão, com um valor pecuniário de um milhão de euros, e pretende reconhecer o esforço de “organizações que, com poucos meios, ultrapassam dificuldades, desenvolvendo um combate cujos resultados já são visíveis”.

É atribuído anualmente e de forma alternada. Nos anos pares, o galardão é concedido a investigações feitas na área da visão e, nos anos ímpares, a iniciativas que visão aliviar os problemas causados pela cegueira ou outros problemas de visão, nomeadamente nos países em desenvolvimento.

“A atribuição do Prémio António Champalimaud vai permitir ajudar nesse esforço marcando a diferença na vida de milhares de pessoas, principalmente crianças, que ainda vivem em situações de pobreza extrema, de cegueira que pode ser recuperável.”

Podem candidatar-se ao prémio laboratórios, organizações produtivas e esforços de colaboração, independentemente da sua dimensão (local, nacional, regional ou internacional).

Vencedores dos anos anteriores:

    • 2014: Napoleone Ferrara, Joan W. Miller, Evangelos S. Gragoudas, Patricia A. D’Amore, Anthony P. Adamis, George L. King e Lloyd Paul Aiello
    • 2013: Nepal Netra Jyoty Sangh (NNJS), Eastern Regional Eye Care Programme, Lumbini Eye Institute e o Tilganga Institute of Ophthalmology
    • 2012: David Williams, James Fujimoto, David Huang, Carmen Puliafito, Joel Schuman e Eric Swanson
    • 2011: African Programme for Onchocerciasis Control (APOC)
    • 2010: J. Anthony Movshon e William Newsome
    • 2009: Helen Keller International
    • 2008: Jeremy Nathans e King-Wai Yau
    • 2007: Aravind Eye Care System

Atualizado às 19h54 com as declarações do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.