Os dias de Kim Jong-un enquanto líder da Coreia do Norte podem estar a chegar ao fim. Quem o disse foi um desertor norte-coreano, assegurando que os homens do seu próprio partido estão a virar-se contra ele.

Kim Jong-un está no poder desde 2011 após a morte de seu pai, mas ao longo dos anos, em vez de ganhar mais apoio, as elites de Pyongyang têm ficado cada vez mais desconfiadas de algumas decisões abusivas de Jong-un. Esta é a convicção do desertor norte-coreano, “que trabalhou para as elites do regime de Kim Jong-un”. Segundo a CNN, o homem, que preferiu não revelar a sua identidade, fugiu do Norte para o Sul há um ano. “Posso afirmar, sem margem para dúvidas, que os norte coreanos de classe média-alta não confiam na liderança de Kim Jong-un. Eu já pensava em fugir da Coreia do Norte há muito tempo”, disse à CNN. Apesar de ter “tentado fazer o melhor” para aumentar a sua popularidade, “Kim Jong-un tem o regime mais instável” da sua dinastia. “E será o mais curto”, conclui o desertor.

A desconfiança tornou-se mais palpável quando, em dezembro de 2013, Kim Jong-Un ordenou a execução de Jang Song Thaek – o seu tio e o segundo líder mais poderoso da Coreia do Norte. “Após a execução de Jang só conseguia pensar ‘eu tenho de me despachar e sair deste país infernal’. Toda a gente, especialmente as elites, está aterrorizada. O medo intensifica-se a cada dia que passa”, explicou o desertor. Após a morte de Jang, o regime justificou-se: “Jang Song Thaaek, uma escumalha desprezível, pior que os cães, cometeu três atos desleais, traindo a confiança profunda e o amor paternal que o nosso líder tinha nele”. Jang foi executado a tiro.

Com a execução de Jang veio a consequente purga ao resto da sua família, até as crianças. Segundo conta a agência sul-coreana Yonhap, o sobrinho de Jang foi queimado vivo por um lança-chamas. Ao ordenar o massacre a Jang e à sua família, Kim Jong-un tornou-se temido até pelos seus próximos. “Os seus antecessores – Kim Il Sung e Kim Jong Il – governaram o país com um pulso de ferro, mas protegiam aqueles que pertenciam ao seu círculo. Kim Jong-un não faz isso”, clarificou o desertor, invocando os falecidos da dinastia Kim.

Segundo um inquérito levado a cabo pelo Instituto de Estudos de Paz e Unificação na Universidade Nacional de Seul, o número de apoiantes de Kim Jong-un tem decrescido substancialmente. Em 2012, o apoio do líder norte-coreano encontrava-se nos 70%, mas em 2014 a percentagem caiu para 58%.

O desertor, na conversa que teve com o jornalista da CNN, confessou a possibilidade Kim Jong-un ser assassinado em breve.