A chanceler alemã afirma que “não é aceitável que algumas pessoas estejam a dizer que isto [a crise dos refugiados] não é nada com eles”. Angela Merkel diz que “esta é uma abordagem que, a prazo, não irá funcionar” e deixa um aviso a quem está a agir desta forma: “Haverá consequências, ainda que não queiramos que isso aconteça”.

O alerta de Angela Merkel, que está satisfeita por a Alemanha ser “vista como uma terra de esperança”, surgiu na noite de segunda-feira, num alerta a que os países acolham devidamente os refugiados que lhes cabem, segundo o plano que a Comissão Europeia irá apresentar quarta-feira. As declarações foram citadas pela Reuters.

Horas antes, na Hungria, a polícia usou gás pimenta para controlar um grupo de refugiados que furou um centro de controlo na fronteira. No fim de semana, cerca de 20 mil pessoas viajaram de comboio da Hungria para a Alemanha.

Schengen em risco?

O vice-chanceler do governo de Merkel, Sigmar Gabriel, avisou que se os países do leste europeu continuarem a resistir a receber a sua quota parte de refugiados, pode estar em causa a livre circulação de pessoas no Espaço Schengen.

“Seria um golpe político dramático para a Europa, mas também um golpe económico, incluindo para alguns dos países que estão a dizer que não querem ajudar agora”, afirmou Sigmar Gabriel.

O plano de Juncker prevê a distribuição de 120 mil refugiados que entraram na Europa nas últimas semanas, além dos 40 mil já contabilizados anteriormente. A Portugal caberá receber cerca de três mil. Os valores que serão envolvidos no plano de Juncker, segundo a imprensa, farão com que os Estados recebam uma ajuda de seis mil euros por cada refugiado.

Sigmar Gabriel acrescentou, citado pelo The Guardian, que a Alemanha é capaz de acolher até meio milhão de refugiados por ano, ao longo de “vários anos”. A Alemanha deverá receber – estima-se – cerca de 800 mil pessoas que procuram asilo, quatro vezes o número que chegou à Alemanha em 2014.